Archive for the ‘Notes’ Category

subversive_disturb_thought

Posted: September 23, 2019 in Notes, Uncategorized
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Minha vida está true faith ao contrário. I feel so extraordinary. Não.

Me falta paixão.

Preciso urgentemente me apaixonar por qualquer coisa.

Me falta emoção.

Tá tudo indo, sem fazer diferença.

 

 

[eu parei de tomar o alurax, como havia dito que faria no post anterior. A diferença é que agora eu tenho sentido tudo isso mais intenso, mas eu prefiro a sinceridade à uma dor opaca]

 

Pensava que fazia mais tempo desde a última vez que postei, mas hoje vi que são 3 meses apenas. Porém, 3 meses difíceis. Fiz uma mudança grande e tinha realmente expectativas de que sair de Campos e voltar para Pelotas, para próximo da família, tudo ficaria bem. Me enganei. Nestes 3 meses, tive gargalhadas sinceras e sorrisos suaves, mas as crises de ansiedade não se foram. O dia a dia sem vontade, sem perspectiva futura que me empolgue, vai me consumindo, destruindo pedacinho a pedacinho e eu vou intoxicando quem não merece. Magoo minha mãe com a rispidez das minhas respostas, por impaciência de convívio humano. Magoo minha namorada, com crises sentimentais e de ciúmes, coisas que eu sempre desprezei. Ao mesmo tempo, tive que admitir que eu precisava dela, pois estava com medo de ficar sozinha e não conseguia tolerar a presença de ninguém. Eu detesto ser dependente. E tive que pedir isso em um dia que ela estava com tantas outras boas energias de uma vida nova começando, pré primeiro dia de trabalho. Eu não pediria se eu não precisasse muito. Foi num domingo em que fiz uma prova de corrida de rua…ultimamente nem a corrida tem liberado alguma serotonina capaz de amenizar minha ansiedade e sintomas depressivos. Sei também que o hormônio para combater a endometriose pode ter culpa desse magnetismo de fundo de poço e no último mês já não tem eliminado totalmente minhas cólicas, tampouco segurado a menstruação, tem acontecido alguns escapes. Hoje a Pat me disse que eu tinha que pensar caminhos a seguir, tomar decisões, mesmo que baby steps…eu ouvi ela falando e não conseguia pensar nenhuma decisão, mas agora refletindo, acho que meu baby step será parar com o Alurax. Eu preciso sair deste vórtex que me consome, me machuca, e me faz machucar as pessoas que eu gosto.

– endometriosis life hack –

Hoje é mais um dia daqueles. Um dia difícil, sem ânimo. Dolorido, de mente nublada, pensamentos pouco focados, cansaço e constante desejo de deixar tudo de lado, voltar pra cama, ficar quietinha, dormir. O calor infernal de Campos só piora a situação. Outra coisa que piora é que tudo isso acontece em uma semana com muitos compromissos sociais e na qual deveria ter muita produção a apresentar, mas não tenho… essa ansiedade constante frente ao medo de não dar conta do compromisso piora a situação. O sentimento não é novidade…é só mais um dia daqueles. O que muda agora é que, com o diagnóstico da endometriose, consigo perceber que estes dias acontecem sempre na metade do mês que engloba ovulação – menstruação. Na prática, este novo conhecimento ainda não faz diferença…não sei como diminuir os sintomas e passar pelos dias, cumprindo os compromissos. Mas com esta nova informação penso que talvez eu possa começar a pensar estratégias para qualidade de vida. Lidar com isso, olhando o calendário antes de acatar participar de atividades de trabalho nesta metade do mês. Talvez esta seja uma boa estratégia.

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🖤 #morrissey 🖤

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[maladjusted]

Há 18 anos atrás uma amiga me levou em um show de um cara que eu não conhecia muito além do nome e de alguns hits…eu não tava preparada para o quanto essa noite, esse show, esse cara iria influenciar minha vida. Quando Morrissey entrou no palco do Opinião (Poa/RS) em fevereiro de 2000, imagino que minha cara deva ter ficado semelhante à da cena de Christiane F., quando ela assiste ao show do Bowie. Devo ter ficado catatônica o show inteiro…lembro da sensação hipnótica e de sair do show com algo diferente. Daquele dia em diante, degustei cada música dos Smiths e Morrissey, achando uma voz para traduzir meus sentimentos…em cada letra, um reconhecimento. A ajuda necessária para sobreviver que só encontramos na arte. Morrissey cantou cada dor que a existência me apresentou e me convenceu rapidinho a parar de comer carne. 18 anos vegetariana…muita gente fica incrédula com este tempo, mas para mim fez todo sentido no momento em que conheci Morrissey e nunca foi difícil.18 anos (e alguns meses), sempre contando com ele nos momentos mais sombrios, nas horas de levantar a cabeça  com o orgulho de assumir minhas escolhas sem me importar com julgamentos alheios, e até dançando sem vergonha…Morrissey me apresentou uma filosofia de vida que me serviu perfeitamente.

Passados estes 18 anos, o sentimento ao revê-lo não tem como ser descrito de outra forma se não o clichê de gratidão. Fiquei muito feliz com o lindo show, com os 90 minutos mágicos, que lavam a alma e reafirmam o myself. Além do momento mágico por si só, uma produção de show impecável, num lugar com acústica e ambientação peculiar para os padrões BR (Fundição Progresso, Rio/RJ) e um setlist que muito me agradou, pois era mais para “next steps” do que para “essentials”. Foi uma experiência necessária para aliviar este ano, tão difícil de sobreviver…Moz nos indicando para resistirmos, nos apoiando nos amigos (se tivermos algum, obviamente). Gratidão eterna para com quem também teve sua alma rejeitada por satan.

 

[Latin America Tour] Morrissey (2018)

“There’s just this for consolation: an hour here or there when our lives seem, against all odds and expectations, to burst open and give us everything we’ve ever imagined, though everyone but children (and perhaps even they) know these hours will inevitably be followed by others, far darker and more difficult.” (p. 225)

[The Hours] Michael Cunningham (1998)

– care funcional / care emocional –

É manhã de domingo e estou terminando de me recuperar de uma semana de dor, febre, enjoo, vômito, diarréia…uma possível stomach flu. Alguns sintomas como dor de cabeça e tontura ainda persistem, mas comparando ao pior momento, posso dizer que estou quase 100% e que saio sem maiores danos dessa semana. Muita água, muito repouso e uma pilha no tanque com praticamente todas as minhas roupas, lençóis e fronhas, ainda meio úmidas das febres noturnas, entram no balanço quantitativo para um total de 7 dias doente. Morar sozinha, distante da família, exige que se aprenda a se virar sozinha, inclusive para enfrentar longos dias de cama. É claro que aqui, como em Amsterdam ou em Florianópolis, tenho uma rede de contatos/amigxs formada por colegas de trabalho, que se oferecem, acredito que sinceramente, com o “se precisar, chama!”. Com o risco de contágio da virose, eu não chamei, mas também não precisei. O care que uma rede de contatos/amigxs formada por colegas de trabalho oferece é um care funcional, não um care emocional. Quando se mora sozinha, distante da família, se aprende a se virar sozinha também emocionalmente, mas se agradece imensamente à existência de WhatsApp e Skype.

– a promessa da felicidade está numa lembrança do passado –

lost paradise_fev2014

[lost paradise] Luceni Hellebrandt (MVD fev 2014)