Archive for the ‘Photo’ Category

Estava sentada com meu gato no colo [Pucco está velho – eu to velha, nosso corpo sente] lembrando da frase de “The Hours”, quando Leonard está lendo a carta de despedida de Virginia e que ela diz que acredita que ninguém possa ter sido mais feliz do que eles foram. Fico pensando nestes momentos em que tomamos consciência da felicidade e de que não poderemos ser mais felizes do que naquele exato momento. Ao mesmo tempo, desta súbita consciência, o desejo maluco de tentar aproveitar ao máximo aquele momento, mas se preocupar tanto em aproveitar ao máximo, da maneira correta, que se esquece de simplesmente aproveitar. Isto é a ansiedade que me assola diariamente. Hoje acordei melancólica, ouvindo meus discos de vinil do The Cure, em ordem e lados aleatórios. Já revi minhas lembranças em postcards, cartões de embarque, catálogos, dos meus dias europeus. Já bateu uma puta saudade da minha primeira impressão física de Manchester, ainda dentro do ônibus, chegando na estação. Das ruas, da arquitetura de fábrica. “We all look so perfect, as we all fall down!”, ou, como disse Cartola, “o mundo é um moinho, vai torturar teus sonhos, tão mesquinho, vai reduzir as ilusões a pó!”.

E a imagem para ilustrar o post é externa do Banhoof Zoo, que minha lembrança do dia da foto e de minha exploração por la retomam sentimentos extremamente melancólicos.

[banhoof zoo] Luceni Hellebrandt (21 – dez – 2014)

[self-portrait]

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[Luceni Hellebrandt – 23 de Julho de 2020]

– e o que é viver se não a constante busca por aliviar a angústia de estar viva? –

 

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[sala de não estar – Luceni Hellebrandt listening to Vitor Ramil, em dia frio – manhã de domingo, julho de 2020]

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– dia 84

\\3 meses sem alcohol, em meio a uma pandemia, com um desgoverno piorando tudo…zerando ou não minha carga viral de hcv, o tratamento foi uma experiência e tanto de sobrevivência//

 

 

Nestes dias de isolamento, em meio a viagens enfumaçadas, descobri Marcel Gautherot através do Google Arts & Culture, em uma exibição sobre Fotografia e arquitetura moderna no Brasil.

Estou encantada com a forma como a luz faz parte dos registros dele, seja na arquitetura, ou nas pessoas que, note bem, sempre estão presentes mesmo nas fotos geométricas das estruturas arquitetônicas.

Fantástico e inspirador, como nestas imagens disponíveis no acervo do IMS!

[construção do congresso nacional, 1958] ; [puxada do xaréu, 1956 circa] Marcel Gautherot

– isolation | day-12 –

 

[volátil] Luceni Hellebrandt (dia 12 mar 2020)

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–  antropologia urbana em uma cidade vazia –

 

por ordens médicas, rompi o isolamento e segui de bike até a faculdade de medicina da ufpel

com as ruas cada vez mais vazias, o som vai mudando.

comumente agora ouço sirenes de ambulâncias.

cada vez mais parece um cenário apocalíptico de um conto dos autores nihilistas que tanto gosto.

Não é!

 

[Luceni Hellebrandt – março de 2020 – dia 9]

[ensaio sobre a cura]

 

– dia 1

 

 

 

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🖤 #morrissey 🖤

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[maladjusted]

Há 18 anos atrás uma amiga me levou em um show de um cara que eu não conhecia muito além do nome e de alguns hits…eu não tava preparada para o quanto essa noite, esse show, esse cara iria influenciar minha vida. Quando Morrissey entrou no palco do Opinião (Poa/RS) em fevereiro de 2000, imagino que minha cara deva ter ficado semelhante à da cena de Christiane F., quando ela assiste ao show do Bowie. Devo ter ficado catatônica o show inteiro…lembro da sensação hipnótica e de sair do show com algo diferente. Daquele dia em diante, degustei cada música dos Smiths e Morrissey, achando uma voz para traduzir meus sentimentos…em cada letra, um reconhecimento. A ajuda necessária para sobreviver que só encontramos na arte. Morrissey cantou cada dor que a existência me apresentou e me convenceu rapidinho a parar de comer carne. 18 anos vegetariana…muita gente fica incrédula com este tempo, mas para mim fez todo sentido no momento em que conheci Morrissey e nunca foi difícil.18 anos (e alguns meses), sempre contando com ele nos momentos mais sombrios, nas horas de levantar a cabeça  com o orgulho de assumir minhas escolhas sem me importar com julgamentos alheios, e até dançando sem vergonha…Morrissey me apresentou uma filosofia de vida que me serviu perfeitamente.

Passados estes 18 anos, o sentimento ao revê-lo não tem como ser descrito de outra forma se não o clichê de gratidão. Fiquei muito feliz com o lindo show, com os 90 minutos mágicos, que lavam a alma e reafirmam o myself. Além do momento mágico por si só, uma produção de show impecável, num lugar com acústica e ambientação peculiar para os padrões BR (Fundição Progresso, Rio/RJ) e um setlist que muito me agradou, pois era mais para “next steps” do que para “essentials”. Foi uma experiência necessária para aliviar este ano, tão difícil de sobreviver…Moz nos indicando para resistirmos, nos apoiando nos amigos (se tivermos algum, obviamente). Gratidão eterna para com quem também teve sua alma rejeitada por satan.

 

[Latin America Tour] Morrissey (2018)

(one more time, thank you brainpickings for the great tip!)

“You can be lonely anywhere, but there is a particular flavour to the loneliness that comes from living in a city, surrounded by millions of people.”

[The Lonely City] Olivia Laing (2016)