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new year’s resolutions ou como morri em 2019, mas tentarei não morrer em 2020

Chegar ao final de 2019 foi uma batalha constante. Uma guerra hormonal que me destruiu por vários lados, de diversas formas, me fazendo ter que admitir que eu sou bem mais vulnerável do que sempre me deixei ser. Para não colocar a culpa somente nos hormônios do ovário removido no começo do ano, tampouco na bomba de dienogeste que tomei por 3 meses para tentar lidar com a endometriose, vou puxar junto o contexto político e, o que poderia ter aliviado meu mal-estar, retornando definitivamente do inferno cristão (Campos), me atingiu em cheio em agosto. A  mudança de cidade da Pat e a resignificação da forma como nosso relacionamento seguiria colocaram novas e pesadas pás em cima de qualquer possibilidade de mentalidade saudável. O último terço do ano teve uma sonoridade chata e demorada, apontando que eu precisaria ter muita paciência pois só o que é possível, neste momento, é estar atenta a um processo de recuperação. De alguma forma, forças conjuradas no universo permitiram que meu pai decidisse por me presentear com um local onde eu não mais tenho que pagar aluguel. Assim, tenho também uma caverna necessária para curar a minha alma e o meu corpo, aprendendo como fazer ao ver o Pucco curando também sua alma e seu corpo. As crises continuam, vindo e indo, algumas partes do mês em um ritmo mais lento. Cheguei ao final do ano numa total incerteza de qualquer perspectiva de futuro profissional. Pela primeira vez em 10 anos, nenhuma proposta à frente e com conta bancária zerada. Mas antes do desespero que isto tem que causar, um alívio muito grande tomou conta de mim. É quase como um daqueles raros momentos da minha vida que parei meio fora da linha do tempo que segue, conseguindo observar que tudo mudará e me perguntando se quero de fato aceitar e encarar esta mudança. O estranho é que desta vez a mudança em si está nebulosa e eu não tenho a mínima pista de o que será, ou quando virá. Preciso que venha logo, pois conta bancária zerada sequer paga meu condomínio. Fiz uma lista de coisas para fechar em janeiro. Tenho algumas resoluções de atitudes nítidas em minha cabeça e uma rotina não agradável, mas necessária inscrita em meu calendário. Respirando. Com paciência. Esperando.

subversive_disturb_thought

Posted: September 23, 2019 in Notes, Uncategorized
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Minha vida está true faith ao contrário. I feel so extraordinary. Não.

Me falta paixão.

Preciso urgentemente me apaixonar por qualquer coisa.

Me falta emoção.

Tá tudo indo, sem fazer diferença.

 

 

[eu parei de tomar o alurax, como havia dito que faria no post anterior. A diferença é que agora eu tenho sentido tudo isso mais intenso, mas eu prefiro a sinceridade à uma dor opaca]

 

Pensava que fazia mais tempo desde a última vez que postei, mas hoje vi que são 3 meses apenas. Porém, 3 meses difíceis. Fiz uma mudança grande e tinha realmente expectativas de que sair de Campos e voltar para Pelotas, para próximo da família, tudo ficaria bem. Me enganei. Nestes 3 meses, tive gargalhadas sinceras e sorrisos suaves, mas as crises de ansiedade não se foram. O dia a dia sem vontade, sem perspectiva futura que me empolgue, vai me consumindo, destruindo pedacinho a pedacinho e eu vou intoxicando quem não merece. Magoo minha mãe com a rispidez das minhas respostas, por impaciência de convívio humano. Magoo minha namorada, com crises sentimentais e de ciúmes, coisas que eu sempre desprezei. Ao mesmo tempo, tive que admitir que eu precisava dela, pois estava com medo de ficar sozinha e não conseguia tolerar a presença de ninguém. Eu detesto ser dependente. E tive que pedir isso em um dia que ela estava com tantas outras boas energias de uma vida nova começando, pré primeiro dia de trabalho. Eu não pediria se eu não precisasse muito. Foi num domingo em que fiz uma prova de corrida de rua…ultimamente nem a corrida tem liberado alguma serotonina capaz de amenizar minha ansiedade e sintomas depressivos. Sei também que o hormônio para combater a endometriose pode ter culpa desse magnetismo de fundo de poço e no último mês já não tem eliminado totalmente minhas cólicas, tampouco segurado a menstruação, tem acontecido alguns escapes. Hoje a Pat me disse que eu tinha que pensar caminhos a seguir, tomar decisões, mesmo que baby steps…eu ouvi ela falando e não conseguia pensar nenhuma decisão, mas agora refletindo, acho que meu baby step será parar com o Alurax. Eu preciso sair deste vórtex que me consome, me machuca, e me faz machucar as pessoas que eu gosto.

– when survival a day is enough –

Ontem foi um dos piores dias de crise de ansiedade. Eu estava com o dia planejado, não estava muito motivada, mas ok, seria um dia interessante, cumprindo algumas atividades, iniciando com o ato em defesa da educação e seguindo para alguns materiais do projeto que eu precisava finalizar. Acordei um pouco preguicenta, tomei café e fui para o banho pois já era hora de ir para o ato. Saindo do banho, o primeiro desafio do dia: me sentir ok com a roupa que escolhi sair…mais do que uma escolha, foi uma única opção…entre os efeitos do dienogeste (hormônio para controle da endometriose que comecei a tomar no último mês) está o inchaço do corpo, assim, de um dia para outro, todas as roupas param de servir ou apertam. Passados alguns minutos no ato de me convencer de que a bermuda de moletom estava ok, quando estava prestes a sair, desabou uma chuvarada. Pensei que seria uma chuva breve, mas ela persistiu forte, por quase 2 horas. Neste tempo, minha ansiedade aumentou pois queria muito ter participado do ato em defesa da educação e não conseguia aceitar que não tinha como sair. Ver as postagens em redes sociais das pessoas que foram no ato causou um efeito pior em mim, algo como uma derrota por eu não ter conseguido estar fisicamente presente na manifestação. Sei que este sentimento de derrota é estúpido e não condiz com a grandiosidade da luta e que meus ideias contam mais que minha presença física, mas quando estamos psicologicamente vulneráveis qualquer coisa estranha e estúpida nos atinge de uma forma inesperada e devastadora. A questão é que, em função da minha ansiedade, o fato de não ter cumprido a primeira tarefa agendada para meu dia causou um efeito bloqueador no resto das minhas ações, e eu não consegui evitar isso. Deveria ter conseguido contornar, mesmo me dizendo várias vezes para pensar no próximo passo e seguir minha agenda. Nada! Minha mente bloqueou. Não consegui conectar duas frases copiadas de um outro material para fechar um parágrafo da introdução do livro (uma das tarefas que tinha agendada era reescrever a primeira parte do texto de introdução do livro 1 do projeto). Não consegui fazer nada do dito “ser produtivo” profissionalmente. Neste momento conheci uma nova “modinha”: Niksen – “a stress-reducing practice from the Netherlands that literally means to do nothing, or to be idle.” (via https://www.nytimes.com/2019/04/29/smarter-living/the-case-for-doing-nothing.html) e usei para tentar controlar minha ansiedade durante o dia. Usei um combo de materiais que me deixam confortável para exercitar o controle da ansiedade:

Técnicas pra controle / dificuldades do controle:

Headphone e atenção exclusiva ao material sendo reproduzido. Exercitar a atenção exclusiva ao material sendo reproduzido foi tranquilo, pois o desafio principal foi aceitar que eu estava num momento confortável e familiar com o conteúdo que estava vivenciando sem pensar no próximo passo. Ficar no presente e aproveitar ao máximo o  presente sem me preocupar com o futuro. Em vários momentos minha mente escapava tentando buscar o que fazer a seguir e sentia esta angústia do próximo passo danosa. Assim, tentava voltar ao presente e me concentrar na linha da música ou cena do filme. Com isso consegui diminuir um pouco dos efeitos nocivos da ansiedade em 4 – 5 horas do meu dia, tentando mantê-la sob controle. Considerei uma vitória, mesmo que eu não tenha conseguido reverter a situação e ser produtiva…as vezes a fase do controle é demorada e é tão vulnerável que não pode ser subestimada.

Quando acordei hoje, percebi que ainda não estou pronta para o próximo passo. Apesar disso, enxergo um avanço muito pequeno, mas que está lá.  Tinha uma reunião agendada, mas acordei com enxaqueca. Mais do que a intolerância à claridade, uma certeza de que não conseguiria tolerar a interação social. Avisei que não iria na reunião e dormi mais algumas horas, em escuro total. O pequeno passo que me referi é que tentarei fechar alguns textos sem a resistência e o bloqueio de ontem. Espero conseguir. A distância do universo conectado (virtual e presencial) parece menos incômodo hoje. Acredito que isso tem a ver com o exercício de controle da ansiedade.

Enfim, estes dias continuam difíceis, doloridos. Acho que o dienogeste tem amplificado minha ansiedade e estou tentando lidar com minhas reações físicas e psicológicas de maneira respeitosa. One more day.

– endometriosis life hack –

Hoje é mais um dia daqueles. Um dia difícil, sem ânimo. Dolorido, de mente nublada, pensamentos pouco focados, cansaço e constante desejo de deixar tudo de lado, voltar pra cama, ficar quietinha, dormir. O calor infernal de Campos só piora a situação. Outra coisa que piora é que tudo isso acontece em uma semana com muitos compromissos sociais e na qual deveria ter muita produção a apresentar, mas não tenho… essa ansiedade constante frente ao medo de não dar conta do compromisso piora a situação. O sentimento não é novidade…é só mais um dia daqueles. O que muda agora é que, com o diagnóstico da endometriose, consigo perceber que estes dias acontecem sempre na metade do mês que engloba ovulação – menstruação. Na prática, este novo conhecimento ainda não faz diferença…não sei como diminuir os sintomas e passar pelos dias, cumprindo os compromissos. Mas com esta nova informação penso que talvez eu possa começar a pensar estratégias para qualidade de vida. Lidar com isso, olhando o calendário antes de acatar participar de atividades de trabalho nesta metade do mês. Talvez esta seja uma boa estratégia.

I am made of pop – a dark, obscure, subversive and inspirational underground pop, but pop!!

 

[Jean-Michel Basquiat – Works from the Mugrabi Collection]

Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro (2018)

#riotgrrrl

foi assim que eu conheci o feminismo!

Na década de 90, em meio a tantas fitas pro walkman e a cada descoberta na MTV, umas bandas com mulheres poderosas surgiam e, obviamente, capturavam minha atenção. Com toda a atitude punk, se sobressaiam no meio grunge, mostrando que rock é coisa de mulher sim. Mostrando pra mim e para uma geração inteira de meninas da minha idade que a gente não precisava de namorado para ir nos rolês underground e que, se quisessemos, poderíamos pegar uma guitarra e subir no palco também!

L7 foi uma dessas bandas, que cravou o empoderamento em meu existir.

3 décadas depois, foi bom olhar para o passado, percebendo como os ensinamentos do riotgrrrl me constituíram. Foi um show de celebração, de sair com a mesma vontade que tinha aos 13 anos…montar uma banda. A(s) banda(s) nunca passou de meia dúzia de ensaios bêbados. Isso não importa, pois este é um dos exemplos em que o processo vale mais que o produto final. Riotgrrrl é a essëncia do meu feminismo e as minas do L7 tem boa parte de responsabilidade nisso.

 

[L7 – Circo Voador/RJ (2018)