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Nestes dias de isolamento, em meio a viagens enfumaçadas, descobri Marcel Gautherot através do Google Arts & Culture, em uma exibição sobre Fotografia e arquitetura moderna no Brasil.

Estou encantada com a forma como a luz faz parte dos registros dele, seja na arquitetura, ou nas pessoas que, note bem, sempre estão presentes mesmo nas fotos geométricas das estruturas arquitetônicas.

Fantástico e inspirador, como nestas imagens disponíveis no acervo do IMS!

[construção do congresso nacional, 1958] ; [puxada do xaréu, 1956 circa] Marcel Gautherot

– isolation | day-12 –

 

[volátil] Luceni Hellebrandt (dia 12 mar 2020)

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–  antropologia urbana em uma cidade vazia –

 

por ordens médicas, rompi o isolamento e segui de bike até a faculdade de medicina da ufpel

com as ruas cada vez mais vazias, o som vai mudando.

comumente agora ouço sirenes de ambulâncias.

cada vez mais parece um cenário apocalíptico de um conto dos autores nihilistas que tanto gosto.

Não é!

 

[Luceni Hellebrandt – março de 2020 – dia 9]

update – move your body as medicine

A corrida sempre me foi remédio. Desintoxicando física e mentalmente. Não tenho corrido bem como quando tinha uma rotina de exercícios, mas o que importa é seguir me movendo. Ela esteve presente no momento mais frágil do último ano e meu presente de aniversário foi me mover por 10Km… eu tava tão na bad que a endorfina quase não fez efeito. Agora as coisas estão melhores. Bem melhores. Eu me prometi que não ia me deixar morrer neste novo ano e estou conseguindo cumprir minha promessa. Tenho voltado a sorrir bobo e tenho tido vontade de me jogar com leveza. Neste meio tempo, a corrida segue, amigável. Hoje tive uma boa onda de endorfina em determinado momento do movimento matinal…manhã de domingo de carnaval, ruas vazias, clima agradável, cansaço de trabalho a ser liberado, frases trocadas em mensagens a serem lembradas, casarões antigos a serem fotografados. Foi uma bela manhã para desenhar com os pés um pouco mais das ruas, suar e querer me jogar em sorrisos bobos e momentos leves.

pompas funebres/fachada/casas geminadas – entorno da praça – Pelotas / RS

[Luceni Hellebrandt – vistas matinais da corrida]

 

I am made of pop – a dark, obscure, subversive and inspirational underground pop, but pop!!

 

[Jean-Michel Basquiat – Works from the Mugrabi Collection]

Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro (2018)

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🖤 #morrissey 🖤

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[maladjusted]

Há 18 anos atrás uma amiga me levou em um show de um cara que eu não conhecia muito além do nome e de alguns hits…eu não tava preparada para o quanto essa noite, esse show, esse cara iria influenciar minha vida. Quando Morrissey entrou no palco do Opinião (Poa/RS) em fevereiro de 2000, imagino que minha cara deva ter ficado semelhante à da cena de Christiane F., quando ela assiste ao show do Bowie. Devo ter ficado catatônica o show inteiro…lembro da sensação hipnótica e de sair do show com algo diferente. Daquele dia em diante, degustei cada música dos Smiths e Morrissey, achando uma voz para traduzir meus sentimentos…em cada letra, um reconhecimento. A ajuda necessária para sobreviver que só encontramos na arte. Morrissey cantou cada dor que a existência me apresentou e me convenceu rapidinho a parar de comer carne. 18 anos vegetariana…muita gente fica incrédula com este tempo, mas para mim fez todo sentido no momento em que conheci Morrissey e nunca foi difícil.18 anos (e alguns meses), sempre contando com ele nos momentos mais sombrios, nas horas de levantar a cabeça  com o orgulho de assumir minhas escolhas sem me importar com julgamentos alheios, e até dançando sem vergonha…Morrissey me apresentou uma filosofia de vida que me serviu perfeitamente.

Passados estes 18 anos, o sentimento ao revê-lo não tem como ser descrito de outra forma se não o clichê de gratidão. Fiquei muito feliz com o lindo show, com os 90 minutos mágicos, que lavam a alma e reafirmam o myself. Além do momento mágico por si só, uma produção de show impecável, num lugar com acústica e ambientação peculiar para os padrões BR (Fundição Progresso, Rio/RJ) e um setlist que muito me agradou, pois era mais para “next steps” do que para “essentials”. Foi uma experiência necessária para aliviar este ano, tão difícil de sobreviver…Moz nos indicando para resistirmos, nos apoiando nos amigos (se tivermos algum, obviamente). Gratidão eterna para com quem também teve sua alma rejeitada por satan.

 

[Latin America Tour] Morrissey (2018)

Acabei de assistir o episódio final de Sense8.

Assisti com certa tristeza pelo cancelamento do seriado, mas não pude evitar alguns pensamentos… com certeza foi o seriado mais queer de audiência acessível que assisti nos últimos tempos.

Penso em como a menos de 2 décadas algo do universo lgbtq era bem mais restrito…

Sempre lembro e faço questão de pontuar como um avanço incrível aconteceu a partir dos anos 2000. Antes disso, tudo era bem mais difícil de acessar, em circuitos bem restritos.

Com Queer As Folk (versão USA 2000 – 2005) e The L Word (2004 – 2009) a tv cumpriu um de seus papéis sociais e naturalizou na tela os sentimentos de tanta gente ao redor do mundo, incluindo os meus, colocando em tela que é ok ser quem você é e gostar de quem(s) você gosta, independente do sexo e/ou gênero da(s) pessoa(s).

Incrível poder chegar num momento em que um seriado como Sense8 coloca tantas possibilidades de relacionamentos afetivos. ❤

Sense8 dá uma sensação de leveza e de esperança… de que é possível!!! (apesar de todo o retrocesso e intolerância que vivenciamos atualmente).

movement-builds-to-renew-sense8-750

(from: https://www.advocate.com/television/2017/6/01/fans-petition-netflix-bring-back-sense8-its-not-just-tv-show)