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Pensava que fazia mais tempo desde a última vez que postei, mas hoje vi que são 3 meses apenas. Porém, 3 meses difíceis. Fiz uma mudança grande e tinha realmente expectativas de que sair de Campos e voltar para Pelotas, para próximo da família, tudo ficaria bem. Me enganei. Nestes 3 meses, tive gargalhadas sinceras e sorrisos suaves, mas as crises de ansiedade não se foram. O dia a dia sem vontade, sem perspectiva futura que me empolgue, vai me consumindo, destruindo pedacinho a pedacinho e eu vou intoxicando quem não merece. Magoo minha mãe com a rispidez das minhas respostas, por impaciência de convívio humano. Magoo minha namorada, com crises sentimentais e de ciúmes, coisas que eu sempre desprezei. Ao mesmo tempo, tive que admitir que eu precisava dela, pois estava com medo de ficar sozinha e não conseguia tolerar a presença de ninguém. Eu detesto ser dependente. E tive que pedir isso em um dia que ela estava com tantas outras boas energias de uma vida nova começando, pré primeiro dia de trabalho. Eu não pediria se eu não precisasse muito. Foi num domingo em que fiz uma prova de corrida de rua…ultimamente nem a corrida tem liberado alguma serotonina capaz de amenizar minha ansiedade e sintomas depressivos. Sei também que o hormônio para combater a endometriose pode ter culpa desse magnetismo de fundo de poço e no último mês já não tem eliminado totalmente minhas cólicas, tampouco segurado a menstruação, tem acontecido alguns escapes. Hoje a Pat me disse que eu tinha que pensar caminhos a seguir, tomar decisões, mesmo que baby steps…eu ouvi ela falando e não conseguia pensar nenhuma decisão, mas agora refletindo, acho que meu baby step será parar com o Alurax. Eu preciso sair deste vórtex que me consome, me machuca, e me faz machucar as pessoas que eu gosto.

– when survival a day is enough –

Ontem foi um dos piores dias de crise de ansiedade. Eu estava com o dia planejado, não estava muito motivada, mas ok, seria um dia interessante, cumprindo algumas atividades, iniciando com o ato em defesa da educação e seguindo para alguns materiais do projeto que eu precisava finalizar. Acordei um pouco preguicenta, tomei café e fui para o banho pois já era hora de ir para o ato. Saindo do banho, o primeiro desafio do dia: me sentir ok com a roupa que escolhi sair…mais do que uma escolha, foi uma única opção…entre os efeitos do dienogeste (hormônio para controle da endometriose que comecei a tomar no último mês) está o inchaço do corpo, assim, de um dia para outro, todas as roupas param de servir ou apertam. Passados alguns minutos no ato de me convencer de que a bermuda de moletom estava ok, quando estava prestes a sair, desabou uma chuvarada. Pensei que seria uma chuva breve, mas ela persistiu forte, por quase 2 horas. Neste tempo, minha ansiedade aumentou pois queria muito ter participado do ato em defesa da educação e não conseguia aceitar que não tinha como sair. Ver as postagens em redes sociais das pessoas que foram no ato causou um efeito pior em mim, algo como uma derrota por eu não ter conseguido estar fisicamente presente na manifestação. Sei que este sentimento de derrota é estúpido e não condiz com a grandiosidade da luta e que meus ideias contam mais que minha presença física, mas quando estamos psicologicamente vulneráveis qualquer coisa estranha e estúpida nos atinge de uma forma inesperada e devastadora. A questão é que, em função da minha ansiedade, o fato de não ter cumprido a primeira tarefa agendada para meu dia causou um efeito bloqueador no resto das minhas ações, e eu não consegui evitar isso. Deveria ter conseguido contornar, mesmo me dizendo várias vezes para pensar no próximo passo e seguir minha agenda. Nada! Minha mente bloqueou. Não consegui conectar duas frases copiadas de um outro material para fechar um parágrafo da introdução do livro (uma das tarefas que tinha agendada era reescrever a primeira parte do texto de introdução do livro 1 do projeto). Não consegui fazer nada do dito “ser produtivo” profissionalmente. Neste momento conheci uma nova “modinha”: Niksen – “a stress-reducing practice from the Netherlands that literally means to do nothing, or to be idle.” (via https://www.nytimes.com/2019/04/29/smarter-living/the-case-for-doing-nothing.html) e usei para tentar controlar minha ansiedade durante o dia. Usei um combo de materiais que me deixam confortável para exercitar o controle da ansiedade:

Técnicas pra controle / dificuldades do controle:

Headphone e atenção exclusiva ao material sendo reproduzido. Exercitar a atenção exclusiva ao material sendo reproduzido foi tranquilo, pois o desafio principal foi aceitar que eu estava num momento confortável e familiar com o conteúdo que estava vivenciando sem pensar no próximo passo. Ficar no presente e aproveitar ao máximo o  presente sem me preocupar com o futuro. Em vários momentos minha mente escapava tentando buscar o que fazer a seguir e sentia esta angústia do próximo passo danosa. Assim, tentava voltar ao presente e me concentrar na linha da música ou cena do filme. Com isso consegui diminuir um pouco dos efeitos nocivos da ansiedade em 4 – 5 horas do meu dia, tentando mantê-la sob controle. Considerei uma vitória, mesmo que eu não tenha conseguido reverter a situação e ser produtiva…as vezes a fase do controle é demorada e é tão vulnerável que não pode ser subestimada.

Quando acordei hoje, percebi que ainda não estou pronta para o próximo passo. Apesar disso, enxergo um avanço muito pequeno, mas que está lá.  Tinha uma reunião agendada, mas acordei com enxaqueca. Mais do que a intolerância à claridade, uma certeza de que não conseguiria tolerar a interação social. Avisei que não iria na reunião e dormi mais algumas horas, em escuro total. O pequeno passo que me referi é que tentarei fechar alguns textos sem a resistência e o bloqueio de ontem. Espero conseguir. A distância do universo conectado (virtual e presencial) parece menos incômodo hoje. Acredito que isso tem a ver com o exercício de controle da ansiedade.

Enfim, estes dias continuam difíceis, doloridos. Acho que o dienogeste tem amplificado minha ansiedade e estou tentando lidar com minhas reações físicas e psicológicas de maneira respeitosa. One more day.

– endometriosis life hack –

Hoje é mais um dia daqueles. Um dia difícil, sem ânimo. Dolorido, de mente nublada, pensamentos pouco focados, cansaço e constante desejo de deixar tudo de lado, voltar pra cama, ficar quietinha, dormir. O calor infernal de Campos só piora a situação. Outra coisa que piora é que tudo isso acontece em uma semana com muitos compromissos sociais e na qual deveria ter muita produção a apresentar, mas não tenho… essa ansiedade constante frente ao medo de não dar conta do compromisso piora a situação. O sentimento não é novidade…é só mais um dia daqueles. O que muda agora é que, com o diagnóstico da endometriose, consigo perceber que estes dias acontecem sempre na metade do mês que engloba ovulação – menstruação. Na prática, este novo conhecimento ainda não faz diferença…não sei como diminuir os sintomas e passar pelos dias, cumprindo os compromissos. Mas com esta nova informação penso que talvez eu possa começar a pensar estratégias para qualidade de vida. Lidar com isso, olhando o calendário antes de acatar participar de atividades de trabalho nesta metade do mês. Talvez esta seja uma boa estratégia.