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– isolation | day-12 –

 

[volátil] Luceni Hellebrandt (dia 12 mar 2020)

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–  antropologia urbana em uma cidade vazia –

 

por ordens médicas, rompi o isolamento e segui de bike até a faculdade de medicina da ufpel

com as ruas cada vez mais vazias, o som vai mudando.

comumente agora ouço sirenes de ambulâncias.

cada vez mais parece um cenário apocalíptico de um conto dos autores nihilistas que tanto gosto.

Não é!

 

[Luceni Hellebrandt – março de 2020 – dia 9]

[ensaio sobre a cura]

 

– dia 1

 

 

 

update – move your body as medicine

A corrida sempre me foi remédio. Desintoxicando física e mentalmente. Não tenho corrido bem como quando tinha uma rotina de exercícios, mas o que importa é seguir me movendo. Ela esteve presente no momento mais frágil do último ano e meu presente de aniversário foi me mover por 10Km… eu tava tão na bad que a endorfina quase não fez efeito. Agora as coisas estão melhores. Bem melhores. Eu me prometi que não ia me deixar morrer neste novo ano e estou conseguindo cumprir minha promessa. Tenho voltado a sorrir bobo e tenho tido vontade de me jogar com leveza. Neste meio tempo, a corrida segue, amigável. Hoje tive uma boa onda de endorfina em determinado momento do movimento matinal…manhã de domingo de carnaval, ruas vazias, clima agradável, cansaço de trabalho a ser liberado, frases trocadas em mensagens a serem lembradas, casarões antigos a serem fotografados. Foi uma bela manhã para desenhar com os pés um pouco mais das ruas, suar e querer me jogar em sorrisos bobos e momentos leves.

pompas funebres/fachada/casas geminadas – entorno da praça – Pelotas / RS

[Luceni Hellebrandt – vistas matinais da corrida]

 

new year’s resolutions ou como morri em 2019, mas tentarei não morrer em 2020

Chegar ao final de 2019 foi uma batalha constante. Uma guerra hormonal que me destruiu por vários lados, de diversas formas, me fazendo ter que admitir que eu sou bem mais vulnerável do que sempre me deixei ser. Para não colocar a culpa somente nos hormônios do ovário removido no começo do ano, tampouco na bomba de dienogeste que tomei por 3 meses para tentar lidar com a endometriose, vou puxar junto o contexto político e, o que poderia ter aliviado meu mal-estar, retornando definitivamente do inferno cristão (Campos), me atingiu em cheio em agosto. A  mudança de cidade da Pat e a resignificação da forma como nosso relacionamento seguiria colocaram novas e pesadas pás em cima de qualquer possibilidade de mentalidade saudável. O último terço do ano teve uma sonoridade chata e demorada, apontando que eu precisaria ter muita paciência pois só o que é possível, neste momento, é estar atenta a um processo de recuperação. De alguma forma, forças conjuradas no universo permitiram que meu pai decidisse por me presentear com um local onde eu não mais tenho que pagar aluguel. Assim, tenho também uma caverna necessária para curar a minha alma e o meu corpo, aprendendo como fazer ao ver o Pucco curando também sua alma e seu corpo. As crises continuam, vindo e indo, algumas partes do mês em um ritmo mais lento. Cheguei ao final do ano numa total incerteza de qualquer perspectiva de futuro profissional. Pela primeira vez em 10 anos, nenhuma proposta à frente e com conta bancária zerada. Mas antes do desespero que isto tem que causar, um alívio muito grande tomou conta de mim. É quase como um daqueles raros momentos da minha vida que parei meio fora da linha do tempo que segue, conseguindo observar que tudo mudará e me perguntando se quero de fato aceitar e encarar esta mudança. O estranho é que desta vez a mudança em si está nebulosa e eu não tenho a mínima pista de o que será, ou quando virá. Preciso que venha logo, pois conta bancária zerada sequer paga meu condomínio. Fiz uma lista de coisas para fechar em janeiro. Tenho algumas resoluções de atitudes nítidas em minha cabeça e uma rotina não agradável, mas necessária inscrita em meu calendário. Respirando. Com paciência. Esperando.

subversive_disturb_thought

Posted: September 23, 2019 in Notes, Uncategorized
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Minha vida está true faith ao contrário. I feel so extraordinary. Não.

Me falta paixão.

Preciso urgentemente me apaixonar por qualquer coisa.

Me falta emoção.

Tá tudo indo, sem fazer diferença.

 

 

[eu parei de tomar o alurax, como havia dito que faria no post anterior. A diferença é que agora eu tenho sentido tudo isso mais intenso, mas eu prefiro a sinceridade à uma dor opaca]

 

Pensava que fazia mais tempo desde a última vez que postei, mas hoje vi que são 3 meses apenas. Porém, 3 meses difíceis. Fiz uma mudança grande e tinha realmente expectativas de que sair de Campos e voltar para Pelotas, para próximo da família, tudo ficaria bem. Me enganei. Nestes 3 meses, tive gargalhadas sinceras e sorrisos suaves, mas as crises de ansiedade não se foram. O dia a dia sem vontade, sem perspectiva futura que me empolgue, vai me consumindo, destruindo pedacinho a pedacinho e eu vou intoxicando quem não merece. Magoo minha mãe com a rispidez das minhas respostas, por impaciência de convívio humano. Magoo minha namorada, com crises sentimentais e de ciúmes, coisas que eu sempre desprezei. Ao mesmo tempo, tive que admitir que eu precisava dela, pois estava com medo de ficar sozinha e não conseguia tolerar a presença de ninguém. Eu detesto ser dependente. E tive que pedir isso em um dia que ela estava com tantas outras boas energias de uma vida nova começando, pré primeiro dia de trabalho. Eu não pediria se eu não precisasse muito. Foi num domingo em que fiz uma prova de corrida de rua…ultimamente nem a corrida tem liberado alguma serotonina capaz de amenizar minha ansiedade e sintomas depressivos. Sei também que o hormônio para combater a endometriose pode ter culpa desse magnetismo de fundo de poço e no último mês já não tem eliminado totalmente minhas cólicas, tampouco segurado a menstruação, tem acontecido alguns escapes. Hoje a Pat me disse que eu tinha que pensar caminhos a seguir, tomar decisões, mesmo que baby steps…eu ouvi ela falando e não conseguia pensar nenhuma decisão, mas agora refletindo, acho que meu baby step será parar com o Alurax. Eu preciso sair deste vórtex que me consome, me machuca, e me faz machucar as pessoas que eu gosto.