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Estava sentada com meu gato no colo [Pucco está velho – eu to velha, nosso corpo sente] lembrando da frase de “The Hours”, quando Leonard está lendo a carta de despedida de Virginia e que ela diz que acredita que ninguém possa ter sido mais feliz do que eles foram. Fico pensando nestes momentos em que tomamos consciência da felicidade e de que não poderemos ser mais felizes do que naquele exato momento. Ao mesmo tempo, desta súbita consciência, o desejo maluco de tentar aproveitar ao máximo aquele momento, mas se preocupar tanto em aproveitar ao máximo, da maneira correta, que se esquece de simplesmente aproveitar. Isto é a ansiedade que me assola diariamente. Hoje acordei melancólica, ouvindo meus discos de vinil do The Cure, em ordem e lados aleatórios. Já revi minhas lembranças em postcards, cartões de embarque, catálogos, dos meus dias europeus. Já bateu uma puta saudade da minha primeira impressão física de Manchester, ainda dentro do ônibus, chegando na estação. Das ruas, da arquitetura de fábrica. “We all look so perfect, as we all fall down!”, ou, como disse Cartola, “o mundo é um moinho, vai torturar teus sonhos, tão mesquinho, vai reduzir as ilusões a pó!”.

E a imagem para ilustrar o post é externa do Banhoof Zoo, que minha lembrança do dia da foto e de minha exploração por la retomam sentimentos extremamente melancólicos.

[banhoof zoo] Luceni Hellebrandt (21 – dez – 2014)

[self-portrait]

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[Luceni Hellebrandt – 23 de Julho de 2020]

– e o que é viver se não a constante busca por aliviar a angústia de estar viva? –

 

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[sala de não estar – Luceni Hellebrandt listening to Vitor Ramil, em dia frio – manhã de domingo, julho de 2020]

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Posted: June 12, 2020 in Art, Uncategorized
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[caos com régua / mundo pandêmico – Luceni Hellebrandt – junho de 2020]

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– dia 84

\\3 meses sem alcohol, em meio a uma pandemia, com um desgoverno piorando tudo…zerando ou não minha carga viral de hcv, o tratamento foi uma experiência e tanto de sobrevivência//

 

 

– day.77 –

 

 

feat. Wrecking Yard / Switchblade Symphony

[lynch’syard] Luceni Hellebrandt (last day of may/ 2020 – 77d.)

 

– isolation | day-12 –

 

[volátil] Luceni Hellebrandt (dia 12 mar 2020)

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–  antropologia urbana em uma cidade vazia –

 

por ordens médicas, rompi o isolamento e segui de bike até a faculdade de medicina da ufpel

com as ruas cada vez mais vazias, o som vai mudando.

comumente agora ouço sirenes de ambulâncias.

cada vez mais parece um cenário apocalíptico de um conto dos autores nihilistas que tanto gosto.

Não é!

 

[Luceni Hellebrandt – março de 2020 – dia 9]

[ensaio sobre a cura]

 

– dia 1

 

 

 

update – move your body as medicine

A corrida sempre me foi remédio. Desintoxicando física e mentalmente. Não tenho corrido bem como quando tinha uma rotina de exercícios, mas o que importa é seguir me movendo. Ela esteve presente no momento mais frágil do último ano e meu presente de aniversário foi me mover por 10Km… eu tava tão na bad que a endorfina quase não fez efeito. Agora as coisas estão melhores. Bem melhores. Eu me prometi que não ia me deixar morrer neste novo ano e estou conseguindo cumprir minha promessa. Tenho voltado a sorrir bobo e tenho tido vontade de me jogar com leveza. Neste meio tempo, a corrida segue, amigável. Hoje tive uma boa onda de endorfina em determinado momento do movimento matinal…manhã de domingo de carnaval, ruas vazias, clima agradável, cansaço de trabalho a ser liberado, frases trocadas em mensagens a serem lembradas, casarões antigos a serem fotografados. Foi uma bela manhã para desenhar com os pés um pouco mais das ruas, suar e querer me jogar em sorrisos bobos e momentos leves.

pompas funebres/fachada/casas geminadas – entorno da praça – Pelotas / RS

[Luceni Hellebrandt – vistas matinais da corrida]