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– isolation | day-12 –

 

[volátil] Luceni Hellebrandt (dia 12 mar 2020)

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🖤 #morrissey 🖤

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[maladjusted]

Há 18 anos atrás uma amiga me levou em um show de um cara que eu não conhecia muito além do nome e de alguns hits…eu não tava preparada para o quanto essa noite, esse show, esse cara iria influenciar minha vida. Quando Morrissey entrou no palco do Opinião (Poa/RS) em fevereiro de 2000, imagino que minha cara deva ter ficado semelhante à da cena de Christiane F., quando ela assiste ao show do Bowie. Devo ter ficado catatônica o show inteiro…lembro da sensação hipnótica e de sair do show com algo diferente. Daquele dia em diante, degustei cada música dos Smiths e Morrissey, achando uma voz para traduzir meus sentimentos…em cada letra, um reconhecimento. A ajuda necessária para sobreviver que só encontramos na arte. Morrissey cantou cada dor que a existência me apresentou e me convenceu rapidinho a parar de comer carne. 18 anos vegetariana…muita gente fica incrédula com este tempo, mas para mim fez todo sentido no momento em que conheci Morrissey e nunca foi difícil.18 anos (e alguns meses), sempre contando com ele nos momentos mais sombrios, nas horas de levantar a cabeça  com o orgulho de assumir minhas escolhas sem me importar com julgamentos alheios, e até dançando sem vergonha…Morrissey me apresentou uma filosofia de vida que me serviu perfeitamente.

Passados estes 18 anos, o sentimento ao revê-lo não tem como ser descrito de outra forma se não o clichê de gratidão. Fiquei muito feliz com o lindo show, com os 90 minutos mágicos, que lavam a alma e reafirmam o myself. Além do momento mágico por si só, uma produção de show impecável, num lugar com acústica e ambientação peculiar para os padrões BR (Fundição Progresso, Rio/RJ) e um setlist que muito me agradou, pois era mais para “next steps” do que para “essentials”. Foi uma experiência necessária para aliviar este ano, tão difícil de sobreviver…Moz nos indicando para resistirmos, nos apoiando nos amigos (se tivermos algum, obviamente). Gratidão eterna para com quem também teve sua alma rejeitada por satan.

 

[Latin America Tour] Morrissey (2018)

Acabei de assistir o episódio final de Sense8.

Assisti com certa tristeza pelo cancelamento do seriado, mas não pude evitar alguns pensamentos… com certeza foi o seriado mais queer de audiência acessível que assisti nos últimos tempos.

Penso em como a menos de 2 décadas algo do universo lgbtq era bem mais restrito…

Sempre lembro e faço questão de pontuar como um avanço incrível aconteceu a partir dos anos 2000. Antes disso, tudo era bem mais difícil de acessar, em circuitos bem restritos.

Com Queer As Folk (versão USA 2000 – 2005) e The L Word (2004 – 2009) a tv cumpriu um de seus papéis sociais e naturalizou na tela os sentimentos de tanta gente ao redor do mundo, incluindo os meus, colocando em tela que é ok ser quem você é e gostar de quem(s) você gosta, independente do sexo e/ou gênero da(s) pessoa(s).

Incrível poder chegar num momento em que um seriado como Sense8 coloca tantas possibilidades de relacionamentos afetivos. ❤

Sense8 dá uma sensação de leveza e de esperança… de que é possível!!! (apesar de todo o retrocesso e intolerância que vivenciamos atualmente).

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(from: https://www.advocate.com/television/2017/6/01/fans-petition-netflix-bring-back-sense8-its-not-just-tv-show)

O processo dolorido da Tese

Caos – desespero – estou atrasada para entregar minha Tese e cada minuto que passa, além do desespero aumentar, parece que estou andando na direção contrária.

Não quero mais saber do tema. Não tenho a mínima vontade. Pior que não sei se é só o tema. To com preguiça intelectual. Não quero pensar mais, nem ter que carregar a culpa de escrever, como se essa escrita, quando (se for) publicada, fosse uma verdade da qual eu jamais poderei discordar.

Dia após dia, tentando café, tentando corrida, tentando nadar, usando estes e outros artifícios para tentar voltar ao texto, forçar um foco. E tudo se dissipa.

Não consigo conectar nada. E já nem tenho tanto medo assim de me dar por vencida. De jogar tudo pro alto, dizendo foda-se. Na verdade, to escassa do sentir. Meu cérebro esgotado, mal consegue juntar duas sílabas para formar uma palavra. E, mesmo com tudo isso, só consigo reagir com um foda-se. To escassa do sentir.

Eventualmente, vai passar. Passo a passo, dia a dia, o texto vai surgir. (Será?) Lentamente, e fraco. Vai surgir. Preciso repetir como mantra, um spell, no desejo que se torne real e esta tortura acabe. Não é a primeira vez que o vazio toma conta de mim, justamente quando deveria estar cheia de palavras, para despejá-las sobre o texto, sobre a Tese. Mas não estou.

Tento todos os subterfúgios. Textos diferentes, livros divertidos, programas babacas na TV, seriados teen, interação com outros humanos – esta foi um erro, sempre me esgota -, ressacas gigantescas, pedaladas, piscina, exaustão física, mato, comida. Minha mente não renova. Meu cérebro não reseta. Tá quebrado. Todas as dicas válidas para outrem, para mim de nada adianta. Sleep deprivation, esta nunca falha – até esta falhou. E quando durmo – 2, 6, 10 horas – não faz diferença, acordo como se não tivesse pregado o olho.

Não é o caso de “você precisa desligar um pouco da Tese”. É justamente o contrário. Meu cérebro está totalmente desligado e não consigo reconectá-lo. Vou tentar uma volta ao campo, como último recurso, vou acompanhar o festival dia 2, desejando que o contato com o objeto de pesquisa (embora no calor desumano) me acenda alguma faísca e me faça engatar a discussão final e as conexões entre os capítulos.

Repito também, na esperança de motivação, duas afirmações: a de que o tema é importante para as pessoas pesquisadas, e a de que eu sou uma das poucas pessoas que pesquisam isto no Brasil. Estas afirmações deveriam me motivar, mas o combustível não é suficiente, pois elas estão carregadas de uma responsabilidade que me bloqueia ainda mais pelo medo de não corresponder às expectativas. Eu deveria ter feito diferente, com mais afinco, mas não posso enganar a mim mesma, eu não faria diferente. Não sou do tipo motivada e empenhada. Talvez eu tenha sido, em algum momento do passado, e isso me permite reconhecer o quão longe do ideal minha capacidade atual me permite chegar. De certa forma é triste, pois é como falhar comigo mesma. Tento listar os achievements para não ficar tão na bad, e valorizá-los. Foram bons, mas não me bastam. Uma cobrança imposta pela crença de ser especial, alimentada na infância. Uma dura falácia que até hoje eu não lido bem. De qualquer forma, nada disso pode ser usado como desculpa para minha incapacidade de concluir um compromisso que me propus.

É dolorido, e parece que todas as minhas energias são dispersadas em coisas fúteis, tipo este texto desabafo desnecessário (?). Se ao menos toda esta energia fosse unidirecional, focada em escrever um texto coeso, com sentido, conectado, e que apresentasse uma tese válida. Que dolorido processo, saber a teoria e não conseguir praticar.

Não há atalho, eu sei. O caminho é este. Dia após dia. Repetição. Paciência. Rotina (que minha natureza de eterna busca pelo caos não permite estabelecer). Atingir a concentração e produzir. (Believe me, esta é a conclusão motivacional do texto.)

Manifesto Subversivo

O primeiro espaço para a subversão é a sua própria mente. Permita-se descobrir possibilidades e pare de reproduzir padrões conservadores. Crie e explore um mundo novo. Negue o estabelecido.
[Manifesto Subversivo] Luceni Hellebrandt (2015)