Posts Tagged ‘Gothic’

[self-portrait]

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[Luceni Hellebrandt – 23 de Julho de 2020]

– day.77 –

 

 

feat. Wrecking Yard / Switchblade Symphony

[lynch’syard] Luceni Hellebrandt (last day of may/ 2020 – 77d.)

 

– isolation | day-12 –

 

[volátil] Luceni Hellebrandt (dia 12 mar 2020)

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–  antropologia urbana em uma cidade vazia –

 

por ordens médicas, rompi o isolamento e segui de bike até a faculdade de medicina da ufpel

com as ruas cada vez mais vazias, o som vai mudando.

comumente agora ouço sirenes de ambulâncias.

cada vez mais parece um cenário apocalíptico de um conto dos autores nihilistas que tanto gosto.

Não é!

 

[Luceni Hellebrandt – março de 2020 – dia 9]

new year’s resolutions ou como morri em 2019, mas tentarei não morrer em 2020

Chegar ao final de 2019 foi uma batalha constante. Uma guerra hormonal que me destruiu por vários lados, de diversas formas, me fazendo ter que admitir que eu sou bem mais vulnerável do que sempre me deixei ser. Para não colocar a culpa somente nos hormônios do ovário removido no começo do ano, tampouco na bomba de dienogeste que tomei por 3 meses para tentar lidar com a endometriose, vou puxar junto o contexto político e, o que poderia ter aliviado meu mal-estar, retornando definitivamente do inferno cristão (Campos), me atingiu em cheio em agosto. A  mudança de cidade da Pat e a resignificação da forma como nosso relacionamento seguiria colocaram novas e pesadas pás em cima de qualquer possibilidade de mentalidade saudável. O último terço do ano teve uma sonoridade chata e demorada, apontando que eu precisaria ter muita paciência pois só o que é possível, neste momento, é estar atenta a um processo de recuperação. De alguma forma, forças conjuradas no universo permitiram que meu pai decidisse por me presentear com um local onde eu não mais tenho que pagar aluguel. Assim, tenho também uma caverna necessária para curar a minha alma e o meu corpo, aprendendo como fazer ao ver o Pucco curando também sua alma e seu corpo. As crises continuam, vindo e indo, algumas partes do mês em um ritmo mais lento. Cheguei ao final do ano numa total incerteza de qualquer perspectiva de futuro profissional. Pela primeira vez em 10 anos, nenhuma proposta à frente e com conta bancária zerada. Mas antes do desespero que isto tem que causar, um alívio muito grande tomou conta de mim. É quase como um daqueles raros momentos da minha vida que parei meio fora da linha do tempo que segue, conseguindo observar que tudo mudará e me perguntando se quero de fato aceitar e encarar esta mudança. O estranho é que desta vez a mudança em si está nebulosa e eu não tenho a mínima pista de o que será, ou quando virá. Preciso que venha logo, pois conta bancária zerada sequer paga meu condomínio. Fiz uma lista de coisas para fechar em janeiro. Tenho algumas resoluções de atitudes nítidas em minha cabeça e uma rotina não agradável, mas necessária inscrita em meu calendário. Respirando. Com paciência. Esperando.

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🖤 #morrissey 🖤

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[maladjusted]

Há 18 anos atrás uma amiga me levou em um show de um cara que eu não conhecia muito além do nome e de alguns hits…eu não tava preparada para o quanto essa noite, esse show, esse cara iria influenciar minha vida. Quando Morrissey entrou no palco do Opinião (Poa/RS) em fevereiro de 2000, imagino que minha cara deva ter ficado semelhante à da cena de Christiane F., quando ela assiste ao show do Bowie. Devo ter ficado catatônica o show inteiro…lembro da sensação hipnótica e de sair do show com algo diferente. Daquele dia em diante, degustei cada música dos Smiths e Morrissey, achando uma voz para traduzir meus sentimentos…em cada letra, um reconhecimento. A ajuda necessária para sobreviver que só encontramos na arte. Morrissey cantou cada dor que a existência me apresentou e me convenceu rapidinho a parar de comer carne. 18 anos vegetariana…muita gente fica incrédula com este tempo, mas para mim fez todo sentido no momento em que conheci Morrissey e nunca foi difícil.18 anos (e alguns meses), sempre contando com ele nos momentos mais sombrios, nas horas de levantar a cabeça  com o orgulho de assumir minhas escolhas sem me importar com julgamentos alheios, e até dançando sem vergonha…Morrissey me apresentou uma filosofia de vida que me serviu perfeitamente.

Passados estes 18 anos, o sentimento ao revê-lo não tem como ser descrito de outra forma se não o clichê de gratidão. Fiquei muito feliz com o lindo show, com os 90 minutos mágicos, que lavam a alma e reafirmam o myself. Além do momento mágico por si só, uma produção de show impecável, num lugar com acústica e ambientação peculiar para os padrões BR (Fundição Progresso, Rio/RJ) e um setlist que muito me agradou, pois era mais para “next steps” do que para “essentials”. Foi uma experiência necessária para aliviar este ano, tão difícil de sobreviver…Moz nos indicando para resistirmos, nos apoiando nos amigos (se tivermos algum, obviamente). Gratidão eterna para com quem também teve sua alma rejeitada por satan.

 

[Latin America Tour] Morrissey (2018)

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[domingo] Luceni Hellebrandt (2017)

– shy people learn how to scream in silence as a way to keep breathing –

[white lies] Luceni Hellebrandt (2017)

 

 

Bellow there is some quotes from Eric G. Wilson’s book “Agains Happiness: in praise of melancholy” (2008 – Sarah Crichton Books / 1st paperback edition in 2009):

“That’d finally it; happy types ultimately don’t live their own liver at all. They follow some prefabricated script, some ton-step plan for bliss or some stairway to heaven.” (p. 28)

“Once we accept these seasons of mental water as inevitable parts of our life – indeed, once we affirm them as essential elements of existence – then the paradox comes truly alive. We actually feel, in the midst of our sorrow, something akin to joy. […] We die into life.” (p. 37)

“[…] the sense that chaos is the original power of the universe, an indifferent reservoir out of which pairs of opposites arise.” (p. 49)

“Ever since the fifth century B.C., people had feared the most sinister of the four humors: melancholia, or black bile. In classical Greece, physicians like Hippocrates believes that the body was composed of four humors. These were cholera, phlegm, blood, and, of course, melancholia. According to the ancient theory, these humors dictated dispositions. A chronically irascible man suffered from much cholera. A tranquil individual possessed an overload of phlegm. A vigorous soul enjoyed a good quantity of blood. And a morose person was beset by a predominance of black bile.

This melancholy person was open to the most pernicious evils. He could turn misanthropic, fearful, despondent, nervous, or mad.” (p. 70)

“[…] the durable melancholia reveals the secret of joy while ecstasy unveils the core of gloom. Sensing this interdependence, we feel ready to move this way or that, light on our feet, untroubled by a desire to grasp that side or this. We can play in the middle.” (p. 84)

“[…]’chase away the demons, and they will take the angels with them.’” (p. 99)

“Indeed, you can experience beauty only when you have a melancholy foreboding that all things in this world will die. The transience of an object makes it beautiful, and its transience is manifested in its fault lines, its expressions of decrepitude. To go in fear of death is to forgo beauty for prettiness, that flaccid rebellion against corrosion. To walk with death in your head is to open the heart to peerless flashes of fire.” (p. 115)

“[…] Without melancholia, the earth would likely freeze into a fixed state, as predictable as metal. Only with the help of constant sorrow can this dying world be changes, enlivened, pushed to the new.” (p. 145)

Against Happiness

 

You think of start a revolution, but you’ll don’t
You wanna try to do something but you won’t move
You think in all of injustice but you give up
Your anarchist impulse won’t match with your nihilist soul

you’ll just give up
you’ll just give up