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new year’s resolutions ou como morri em 2019, mas tentarei não morrer em 2020

Chegar ao final de 2019 foi uma batalha constante. Uma guerra hormonal que me destruiu por vários lados, de diversas formas, me fazendo ter que admitir que eu sou bem mais vulnerável do que sempre me deixei ser. Para não colocar a culpa somente nos hormônios do ovário removido no começo do ano, tampouco na bomba de dienogeste que tomei por 3 meses para tentar lidar com a endometriose, vou puxar junto o contexto político e, o que poderia ter aliviado meu mal-estar, retornando definitivamente do inferno cristão (Campos), me atingiu em cheio em agosto. A  mudança de cidade da Pat e a resignificação da forma como nosso relacionamento seguiria colocaram novas e pesadas pás em cima de qualquer possibilidade de mentalidade saudável. O último terço do ano teve uma sonoridade chata e demorada, apontando que eu precisaria ter muita paciência pois só o que é possível, neste momento, é estar atenta a um processo de recuperação. De alguma forma, forças conjuradas no universo permitiram que meu pai decidisse por me presentear com um local onde eu não mais tenho que pagar aluguel. Assim, tenho também uma caverna necessária para curar a minha alma e o meu corpo, aprendendo como fazer ao ver o Pucco curando também sua alma e seu corpo. As crises continuam, vindo e indo, algumas partes do mês em um ritmo mais lento. Cheguei ao final do ano numa total incerteza de qualquer perspectiva de futuro profissional. Pela primeira vez em 10 anos, nenhuma proposta à frente e com conta bancária zerada. Mas antes do desespero que isto tem que causar, um alívio muito grande tomou conta de mim. É quase como um daqueles raros momentos da minha vida que parei meio fora da linha do tempo que segue, conseguindo observar que tudo mudará e me perguntando se quero de fato aceitar e encarar esta mudança. O estranho é que desta vez a mudança em si está nebulosa e eu não tenho a mínima pista de o que será, ou quando virá. Preciso que venha logo, pois conta bancária zerada sequer paga meu condomínio. Fiz uma lista de coisas para fechar em janeiro. Tenho algumas resoluções de atitudes nítidas em minha cabeça e uma rotina não agradável, mas necessária inscrita em meu calendário. Respirando. Com paciência. Esperando.

I am made of pop – a dark, obscure, subversive and inspirational underground pop, but pop!!

 

[Jean-Michel Basquiat – Works from the Mugrabi Collection]

Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro (2018)

#riotgrrrl

foi assim que eu conheci o feminismo!

Na década de 90, em meio a tantas fitas pro walkman e a cada descoberta na MTV, umas bandas com mulheres poderosas surgiam e, obviamente, capturavam minha atenção. Com toda a atitude punk, se sobressaiam no meio grunge, mostrando que rock é coisa de mulher sim. Mostrando pra mim e para uma geração inteira de meninas da minha idade que a gente não precisava de namorado para ir nos rolês underground e que, se quisessemos, poderíamos pegar uma guitarra e subir no palco também!

L7 foi uma dessas bandas, que cravou o empoderamento em meu existir.

3 décadas depois, foi bom olhar para o passado, percebendo como os ensinamentos do riotgrrrl me constituíram. Foi um show de celebração, de sair com a mesma vontade que tinha aos 13 anos…montar uma banda. A(s) banda(s) nunca passou de meia dúzia de ensaios bêbados. Isso não importa, pois este é um dos exemplos em que o processo vale mais que o produto final. Riotgrrrl é a essëncia do meu feminismo e as minas do L7 tem boa parte de responsabilidade nisso.

 

[L7 – Circo Voador/RJ (2018)

 

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🖤 #morrissey 🖤

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[maladjusted]

Há 18 anos atrás uma amiga me levou em um show de um cara que eu não conhecia muito além do nome e de alguns hits…eu não tava preparada para o quanto essa noite, esse show, esse cara iria influenciar minha vida. Quando Morrissey entrou no palco do Opinião (Poa/RS) em fevereiro de 2000, imagino que minha cara deva ter ficado semelhante à da cena de Christiane F., quando ela assiste ao show do Bowie. Devo ter ficado catatônica o show inteiro…lembro da sensação hipnótica e de sair do show com algo diferente. Daquele dia em diante, degustei cada música dos Smiths e Morrissey, achando uma voz para traduzir meus sentimentos…em cada letra, um reconhecimento. A ajuda necessária para sobreviver que só encontramos na arte. Morrissey cantou cada dor que a existência me apresentou e me convenceu rapidinho a parar de comer carne. 18 anos vegetariana…muita gente fica incrédula com este tempo, mas para mim fez todo sentido no momento em que conheci Morrissey e nunca foi difícil.18 anos (e alguns meses), sempre contando com ele nos momentos mais sombrios, nas horas de levantar a cabeça  com o orgulho de assumir minhas escolhas sem me importar com julgamentos alheios, e até dançando sem vergonha…Morrissey me apresentou uma filosofia de vida que me serviu perfeitamente.

Passados estes 18 anos, o sentimento ao revê-lo não tem como ser descrito de outra forma se não o clichê de gratidão. Fiquei muito feliz com o lindo show, com os 90 minutos mágicos, que lavam a alma e reafirmam o myself. Além do momento mágico por si só, uma produção de show impecável, num lugar com acústica e ambientação peculiar para os padrões BR (Fundição Progresso, Rio/RJ) e um setlist que muito me agradou, pois era mais para “next steps” do que para “essentials”. Foi uma experiência necessária para aliviar este ano, tão difícil de sobreviver…Moz nos indicando para resistirmos, nos apoiando nos amigos (se tivermos algum, obviamente). Gratidão eterna para com quem também teve sua alma rejeitada por satan.

 

[Latin America Tour] Morrissey (2018)

Acabei de assistir o episódio final de Sense8.

Assisti com certa tristeza pelo cancelamento do seriado, mas não pude evitar alguns pensamentos… com certeza foi o seriado mais queer de audiência acessível que assisti nos últimos tempos.

Penso em como a menos de 2 décadas algo do universo lgbtq era bem mais restrito…

Sempre lembro e faço questão de pontuar como um avanço incrível aconteceu a partir dos anos 2000. Antes disso, tudo era bem mais difícil de acessar, em circuitos bem restritos.

Com Queer As Folk (versão USA 2000 – 2005) e The L Word (2004 – 2009) a tv cumpriu um de seus papéis sociais e naturalizou na tela os sentimentos de tanta gente ao redor do mundo, incluindo os meus, colocando em tela que é ok ser quem você é e gostar de quem(s) você gosta, independente do sexo e/ou gênero da(s) pessoa(s).

Incrível poder chegar num momento em que um seriado como Sense8 coloca tantas possibilidades de relacionamentos afetivos. ❤

Sense8 dá uma sensação de leveza e de esperança… de que é possível!!! (apesar de todo o retrocesso e intolerância que vivenciamos atualmente).

movement-builds-to-renew-sense8-750

(from: https://www.advocate.com/television/2017/6/01/fans-petition-netflix-bring-back-sense8-its-not-just-tv-show)

(one more time, thank you brainpickings for the great tip!)

“You can be lonely anywhere, but there is a particular flavour to the loneliness that comes from living in a city, surrounded by millions of people.”

[The Lonely City] Olivia Laing (2016)

“There’s just this for consolation: an hour here or there when our lives seem, against all odds and expectations, to burst open and give us everything we’ve ever imagined, though everyone but children (and perhaps even they) know these hours will inevitably be followed by others, far darker and more difficult.” (p. 225)

[The Hours] Michael Cunningham (1998)