Posts Tagged ‘nostalgia’

Estava sentada com meu gato no colo [Pucco está velho – eu to velha, nosso corpo sente] lembrando da frase de “The Hours”, quando Leonard está lendo a carta de despedida de Virginia e que ela diz que acredita que ninguém possa ter sido mais feliz do que eles foram. Fico pensando nestes momentos em que tomamos consciência da felicidade e de que não poderemos ser mais felizes do que naquele exato momento. Ao mesmo tempo, desta súbita consciência, o desejo maluco de tentar aproveitar ao máximo aquele momento, mas se preocupar tanto em aproveitar ao máximo, da maneira correta, que se esquece de simplesmente aproveitar. Isto é a ansiedade que me assola diariamente. Hoje acordei melancólica, ouvindo meus discos de vinil do The Cure, em ordem e lados aleatórios. Já revi minhas lembranças em postcards, cartões de embarque, catálogos, dos meus dias europeus. Já bateu uma puta saudade da minha primeira impressão física de Manchester, ainda dentro do ônibus, chegando na estação. Das ruas, da arquitetura de fábrica. “We all look so perfect, as we all fall down!”, ou, como disse Cartola, “o mundo é um moinho, vai torturar teus sonhos, tão mesquinho, vai reduzir as ilusões a pó!”.

E a imagem para ilustrar o post é externa do Banhoof Zoo, que minha lembrança do dia da foto e de minha exploração por la retomam sentimentos extremamente melancólicos.

[banhoof zoo] Luceni Hellebrandt (21 – dez – 2014)

– isolation | day-12 –

 

[volátil] Luceni Hellebrandt (dia 12 mar 2020)

I am made of pop – a dark, obscure, subversive and inspirational underground pop, but pop!!

 

[Jean-Michel Basquiat – Works from the Mugrabi Collection]

Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro (2018)

#riotgrrrl

foi assim que eu conheci o feminismo!

Na década de 90, em meio a tantas fitas pro walkman e a cada descoberta na MTV, umas bandas com mulheres poderosas surgiam e, obviamente, capturavam minha atenção. Com toda a atitude punk, se sobressaiam no meio grunge, mostrando que rock é coisa de mulher sim. Mostrando pra mim e para uma geração inteira de meninas da minha idade que a gente não precisava de namorado para ir nos rolês underground e que, se quisessemos, poderíamos pegar uma guitarra e subir no palco também!

L7 foi uma dessas bandas, que cravou o empoderamento em meu existir.

3 décadas depois, foi bom olhar para o passado, percebendo como os ensinamentos do riotgrrrl me constituíram. Foi um show de celebração, de sair com a mesma vontade que tinha aos 13 anos…montar uma banda. A(s) banda(s) nunca passou de meia dúzia de ensaios bêbados. Isso não importa, pois este é um dos exemplos em que o processo vale mais que o produto final. Riotgrrrl é a essëncia do meu feminismo e as minas do L7 tem boa parte de responsabilidade nisso.

 

[L7 – Circo Voador/RJ (2018)

 

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🖤 #morrissey 🖤

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[maladjusted]

Há 18 anos atrás uma amiga me levou em um show de um cara que eu não conhecia muito além do nome e de alguns hits…eu não tava preparada para o quanto essa noite, esse show, esse cara iria influenciar minha vida. Quando Morrissey entrou no palco do Opinião (Poa/RS) em fevereiro de 2000, imagino que minha cara deva ter ficado semelhante à da cena de Christiane F., quando ela assiste ao show do Bowie. Devo ter ficado catatônica o show inteiro…lembro da sensação hipnótica e de sair do show com algo diferente. Daquele dia em diante, degustei cada música dos Smiths e Morrissey, achando uma voz para traduzir meus sentimentos…em cada letra, um reconhecimento. A ajuda necessária para sobreviver que só encontramos na arte. Morrissey cantou cada dor que a existência me apresentou e me convenceu rapidinho a parar de comer carne. 18 anos vegetariana…muita gente fica incrédula com este tempo, mas para mim fez todo sentido no momento em que conheci Morrissey e nunca foi difícil.18 anos (e alguns meses), sempre contando com ele nos momentos mais sombrios, nas horas de levantar a cabeça  com o orgulho de assumir minhas escolhas sem me importar com julgamentos alheios, e até dançando sem vergonha…Morrissey me apresentou uma filosofia de vida que me serviu perfeitamente.

Passados estes 18 anos, o sentimento ao revê-lo não tem como ser descrito de outra forma se não o clichê de gratidão. Fiquei muito feliz com o lindo show, com os 90 minutos mágicos, que lavam a alma e reafirmam o myself. Além do momento mágico por si só, uma produção de show impecável, num lugar com acústica e ambientação peculiar para os padrões BR (Fundição Progresso, Rio/RJ) e um setlist que muito me agradou, pois era mais para “next steps” do que para “essentials”. Foi uma experiência necessária para aliviar este ano, tão difícil de sobreviver…Moz nos indicando para resistirmos, nos apoiando nos amigos (se tivermos algum, obviamente). Gratidão eterna para com quem também teve sua alma rejeitada por satan.

 

[Latin America Tour] Morrissey (2018)

Acabei de assistir o episódio final de Sense8.

Assisti com certa tristeza pelo cancelamento do seriado, mas não pude evitar alguns pensamentos… com certeza foi o seriado mais queer de audiência acessível que assisti nos últimos tempos.

Penso em como a menos de 2 décadas algo do universo lgbtq era bem mais restrito…

Sempre lembro e faço questão de pontuar como um avanço incrível aconteceu a partir dos anos 2000. Antes disso, tudo era bem mais difícil de acessar, em circuitos bem restritos.

Com Queer As Folk (versão USA 2000 – 2005) e The L Word (2004 – 2009) a tv cumpriu um de seus papéis sociais e naturalizou na tela os sentimentos de tanta gente ao redor do mundo, incluindo os meus, colocando em tela que é ok ser quem você é e gostar de quem(s) você gosta, independente do sexo e/ou gênero da(s) pessoa(s).

Incrível poder chegar num momento em que um seriado como Sense8 coloca tantas possibilidades de relacionamentos afetivos. ❤

Sense8 dá uma sensação de leveza e de esperança… de que é possível!!! (apesar de todo o retrocesso e intolerância que vivenciamos atualmente).

movement-builds-to-renew-sense8-750

(from: https://www.advocate.com/television/2017/6/01/fans-petition-netflix-bring-back-sense8-its-not-just-tv-show)

(one more time, thank you brainpickings for the great tip!)

“You can be lonely anywhere, but there is a particular flavour to the loneliness that comes from living in a city, surrounded by millions of people.”

[The Lonely City] Olivia Laing (2016)

“There’s just this for consolation: an hour here or there when our lives seem, against all odds and expectations, to burst open and give us everything we’ve ever imagined, though everyone but children (and perhaps even they) know these hours will inevitably be followed by others, far darker and more difficult.” (p. 225)

[The Hours] Michael Cunningham (1998)

– a promessa da felicidade está numa lembrança do passado –

lost paradise_fev2014

[lost paradise] Luceni Hellebrandt (MVD fev 2014)

Bellow there is some quotes from Eric G. Wilson’s book “Agains Happiness: in praise of melancholy” (2008 – Sarah Crichton Books / 1st paperback edition in 2009):

“That’d finally it; happy types ultimately don’t live their own liver at all. They follow some prefabricated script, some ton-step plan for bliss or some stairway to heaven.” (p. 28)

“Once we accept these seasons of mental water as inevitable parts of our life – indeed, once we affirm them as essential elements of existence – then the paradox comes truly alive. We actually feel, in the midst of our sorrow, something akin to joy. […] We die into life.” (p. 37)

“[…] the sense that chaos is the original power of the universe, an indifferent reservoir out of which pairs of opposites arise.” (p. 49)

“Ever since the fifth century B.C., people had feared the most sinister of the four humors: melancholia, or black bile. In classical Greece, physicians like Hippocrates believes that the body was composed of four humors. These were cholera, phlegm, blood, and, of course, melancholia. According to the ancient theory, these humors dictated dispositions. A chronically irascible man suffered from much cholera. A tranquil individual possessed an overload of phlegm. A vigorous soul enjoyed a good quantity of blood. And a morose person was beset by a predominance of black bile.

This melancholy person was open to the most pernicious evils. He could turn misanthropic, fearful, despondent, nervous, or mad.” (p. 70)

“[…] the durable melancholia reveals the secret of joy while ecstasy unveils the core of gloom. Sensing this interdependence, we feel ready to move this way or that, light on our feet, untroubled by a desire to grasp that side or this. We can play in the middle.” (p. 84)

“[…]’chase away the demons, and they will take the angels with them.’” (p. 99)

“Indeed, you can experience beauty only when you have a melancholy foreboding that all things in this world will die. The transience of an object makes it beautiful, and its transience is manifested in its fault lines, its expressions of decrepitude. To go in fear of death is to forgo beauty for prettiness, that flaccid rebellion against corrosion. To walk with death in your head is to open the heart to peerless flashes of fire.” (p. 115)

“[…] Without melancholia, the earth would likely freeze into a fixed state, as predictable as metal. Only with the help of constant sorrow can this dying world be changes, enlivened, pushed to the new.” (p. 145)

Against Happiness