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ūüĖ§ #morrissey ūüĖ§

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[maladjusted]

H√° 18 anos atr√°s uma amiga me levou em um show de um cara que eu n√£o conhecia muito al√©m do nome e de alguns hits‚Ķeu n√£o tava preparada para o quanto essa noite, esse show, esse cara iria influenciar minha vida. Quando Morrissey entrou no palco do Opini√£o (Poa/RS) em fevereiro de 2000, imagino que minha cara deva ter ficado semelhante √† da cena de Christiane F., quando ela assiste ao show do Bowie. Devo ter ficado catat√īnica o show inteiro‚Ķlembro da sensa√ß√£o hipn√≥tica e de sair do show com algo diferente. Daquele dia em diante, degustei cada m√ļsica dos Smiths e Morrissey, achando uma voz para traduzir meus sentimentos‚Ķem cada letra, um reconhecimento. A ajuda necess√°ria para sobreviver que s√≥ encontramos na arte. Morrissey cantou cada dor que a exist√™ncia me apresentou e me convenceu rapidinho a parar de comer carne. 18 anos vegetariana‚Ķmuita gente fica incr√©dula com este tempo, mas para mim fez todo sentido no momento em que conheci Morrissey e nunca foi dif√≠cil.18 anos (e alguns meses), sempre contando com ele nos momentos mais sombrios, nas horas de levantar a cabe√ßa¬† com o orgulho de assumir minhas escolhas sem me importar com julgamentos alheios, e at√© dan√ßando sem vergonha‚ĶMorrissey me apresentou uma filosofia de vida que me serviu perfeitamente.

Passados estes 18 anos, o sentimento ao rev√™-lo n√£o tem como ser descrito de outra forma se n√£o o clich√™ de gratid√£o. Fiquei muito feliz com o lindo show, com os 90 minutos m√°gicos, que lavam a alma e reafirmam o myself. Al√©m do momento m√°gico por si s√≥, uma produ√ß√£o de show impec√°vel, num lugar com ac√ļstica e ambienta√ß√£o peculiar para os padr√Ķes BR (Fundi√ß√£o Progresso, Rio/RJ) e um setlist que muito me agradou, pois era mais para ‚Äúnext steps‚ÄĚ do que para ‚Äúessentials‚ÄĚ. Foi uma experi√™ncia necess√°ria para aliviar este ano, t√£o dif√≠cil de sobreviver‚ĶMoz nos indicando para resistirmos, nos apoiando nos amigos (se tivermos algum, obviamente). Gratid√£o eterna para com quem tamb√©m teve sua alma rejeitada por satan.

 

[Latin America Tour] Morrissey (2018)

Acabei de assistir o episódio final de Sense8.

Assisti¬†com certa tristeza¬†pelo¬†cancelamento do seriado, mas n√£o pude evitar alguns pensamentos… com certeza foi o seriado mais queer de audi√™ncia acess√≠vel que assisti nos √ļltimos tempos.

Penso em como a menos de 2 d√©cadas algo do universo lgbtq era bem mais restrito…

Sempre lembro e faço questão de pontuar como um avanço incrível aconteceu a partir dos anos 2000. Antes disso, tudo era bem mais difícil de acessar, em circuitos bem restritos.

Com Queer As Folk (versão USA 2000 Р2005) e The L Word (2004 Р2009) a tv cumpriu um de seus papéis sociais e naturalizou na tela os sentimentos de tanta gente ao redor do mundo, incluindo os meus, colocando em tela que é ok ser quem você é e gostar de quem(s) você gosta, independente do sexo e/ou gênero da(s) pessoa(s).

Incr√≠vel poder chegar num momento em que um seriado como Sense8 coloca tantas possibilidades de relacionamentos afetivos. ‚̧

Sense8 d√° uma sensa√ß√£o de leveza e de esperan√ßa… de que √© poss√≠vel!!! (apesar de todo o retrocesso e intoler√Ęncia que vivenciamos atualmente).

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(from: https://www.advocate.com/television/2017/6/01/fans-petition-netflix-bring-back-sense8-its-not-just-tv-show)

– a promessa da felicidade est√° numa lembran√ßa do passado –

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[lost paradise] Luceni Hellebrandt (MVD fev 2014)

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[domingo] Luceni Hellebrandt (2017)

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Treze raz√Ķes

N√£o vejo treze raz√Ķes. destaco apenas uma, que me pegou. Nostalgia. Estou bem a par das cr√≠ticas que a internet est√° discutindo a respeito da new hype netflix serie, como por exemplo as cr√≠ticas negativas por ignorar o conselho da OMS de glamorizar o suic√≠dio e ignorar o efeito Werther, como tamb√©m os benef√≠cios de que finalmente est√° se discutindo este tema entre pais, filhos e ambiente escolar. Exalto a import√Ęncia que a s√©rie destaca ao colocar o bullying como linha de fundo que guia a discuss√£o do que pode impactar na vida de uma pessoa em seu momento mais fr√°gil, a adolesc√™ncia, e por este fato, acho que a s√©rie √© louv√°vel.

Apesar desta discuss√£o mais ampla, amparada na repercuss√£o da sociedade, tendo a tomar o particular e evidenciar o que a s√©rie tem significado para mim, e quais reflex√Ķes tem me causado.

Nostalgia. Foi por este sentimento que a netflix me fisgou Hoje encontrei um aparelho de som na minha casa que possui um deck de cassete e meu instinto primeiro foi o de tentar abrir o deck com um toque‚Ķmaldita gera√ß√£o do toque‚Ķque surpresa ao me deparar com o bot√£o eject, fazendo ent√£o se tornar um gatilho (n√£o os que outras pessoas temem, antes de decidirem assistir a s√©rie). Aquele bot√£o, pression√°-lo para abrir o deck, ouvir o barulho, v√™-lo ativar a porta da fita abrindo‚Ķ acredito que fazia pelo menos uma d√©cada que ouvi estes sons t√£o cotidianos uma vez em minha vida‚Ķsim, eu era uma adolescente que viva de headphone quando eles n√£o eram populares, e que gastava boa parte da ‚Äėmesada‚Äô em pilhas para o walkman.

Esta lembran√ßa nost√°lgica me conectou com o primeiro epis√≥dio em que o protagonista (vivo?) da s√©rie enfrenta dificuldade em entender o funcionamento de um dispositivo ‚Äúultrapassado‚ÄĚ, um boombox (que por essas bandas de c√° cham√°vamos de microsystem, eu acho‚Ķ).

Mas, definitivamente, o gatilho veio hoje, assistindo o terceiro epis√≥dio. Ao final do epis√≥dio Clay clipa em sua cal√ßa o walkman. Ah gesto t√£o repetido na minha adolesc√™ncia‚Ķ senti verdadeira saudade de fazer este gesto, que era t√£o natural‚Ķpassei mesmo minutos refletindo se eu teria algum dos meus wlakmans ainda funcionando, e onde deveria estar ‚Äúguardado‚ÄĚ. Mesmo este sendo o momento nost√°lgico mais importante da s√©rie at√© agora (eu assisti apenas aos primeiros 4 eps), eu ainda acho que o que define a nostalgia da s√©rie s√£o as diversas pedaladas que Clay faz pela cidade onde mora, a qualquer hora do dia ou da noite, no meio da rua, sem se preocupar com um tr√Ęnsito violento ou o assalto e iminente roubo de sua bike.

Como decaímos tão rápido? De uma hora pra outra não podemos mais pedalar pelas nossas ruas, sem medo. De uma hora pra outra esquecemos como usar um aparelho de cassete, acostumados à portabilidade leve. De uma hora pra outra, passamos de adolescentes que entendiam todo aquele universo para adultos que nem lembram mais como as paredes de banheiro são carregadas de insultos.

O suic√≠dio permanece um tabu. Como qualquer tabu, ele tem este status porque n√£o √© discutido. Porque tendemos a colocar um tapete em cima. Seria t√£o mais simples se todas as pessoas soubessem que ter estes sentimentos √© muito mais ‚Äúnormal‚ÄĚ do que a sociedade deixa transparecer. Olhando para tr√°s, tive muita sorte de ter pessoas que me disseram que este sentimento lhes era familiar e, acredito, juntas passamos por isso‚Ķao menos em nosso momento mais vulner√°vel. N√£o subestimo este sentimento, alojado no canto mais obscuro do meu ser, mas sei que n√£o estou no meu momento mais vulner√°vel e suscet√≠vel. Acredito que, ao inv√©s de colocar um tapete em cima, o mais correto seria dizer que isto acontece, √© normal, voc√™ n√£o √© freak por pensar que a alternativa menos dolorida √© cruzar a linha. Tudo bem sentir isso. E o mais importante‚Ķtem gente que j√° sentiu isso e at√© continua sentindo, mas que continua aqui e pode te ajudar.

N√£o tenho treze raz√Ķes, mas aprendi (thank you Shirl) que o truque √© continuar respirando‚Ķsimples assim, um dia ap√≥s o outro (sem maiores expectativas, mas com uma ta√ßa cheia de um bom vinho tinto).

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[photo @ Schoreditch tube station РLondon / UK] Luceni Hellebrandt (2015)

[subculture] –

we look the same/we talk the same/we are the same/we are the same

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Exactitudes

Hannah Marshall carrega como marca estética o preto e branco, traduzido num profundo e lindo trabalho de arte.

Descobri ela atrav√©s do Instagram, por conta das conex√Ķes com Romy (The XX) e Savages. O trabalho dela no Instagram¬†apresenta uma bela composi√ß√£o de posts tr√≠pticos, Texto + Video +¬†Foto.

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FEATURE. I was asked to be involved in SEINE magazine, an annual print publication exploring women in their creative spaces. Featuring a series of interviews and portraits of influential and successful women in the arts, SEINE explores how the different spaces we inhabit can influence creative practice. ‚ÄúSince touring the world with her girlfriends band, Hannah Marshall left behind a successful career in fashion design and propelled herself into the music industry as a visual artist and creative director. It is apparent, however, that music has always been intrinsic in Marshall‚Äôs work. Predominantly known for her all-black aesthetic, she has previously designed bespoke clothing for musicians such as Savages, The xx, Florence Welch and Janet Jackson. With a strong focus on female musicians, Marshall has more recently directed her first music video.‚ÄĚ Millie Grace Horton, SEINE magazine. Other women featured include: Annie Leibovitz, Katerina Jebb, Jane Birkin, Tallulah Harlech, Zoe Bedeaux, Alex Box, Antonia Marsh, Tati Compton, Julie Anne Stanzak, Amanda Harlech, Polly Brown, Anna Burns, Jessamine-Bliss Bell, Sarah Kathryn Cleaver, Drake Burnette, Claire Barrow, Rauwanne Northcott and Hannah Martin. Photo: Millie Grace Horton [@milliegracehorton for @seine.magazine] . . . . . #hannahmarshall #hannahmarshallvisualart #visualartist #visualart #creativedirector #blackminimalism #allblack #blackandwhite #monochrome #bw #bnw #womeninmusic #music #livemusic #seinemagazine

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