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we look the same/we talk the same/we are the same/we are the same

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Exactitudes

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Não consigo pensar em muitas coisas que toquem minha alma e movam minha vida tanto quanto a música. Na trilha sonora do dia a dia, algumas artistas atingiram um status tão importante na minha vida, ajudando a sobreviver em diferentes momentos. Para cada uma dessas mulheres fantásticas, gostaria de fazer um sincero agradecimento pessoalmente, felizmente para 2 eu  já consegui.

Iniciei o ano que morei em Amsterdam (nov/2014 – nov/2015) conhecendo uma pessoa fantasticamente criativa e culturalmente produtiva da atualidade, e encerrei meu período em terras europeias conhecendo outra musa inspiradora, ícone, de também grandioso destaque criativo.

Camille Berthomier (Jehnny Beth) e Patricia Lee Smith (Patti Smith), a meu ver, se assemelham em diversos aspectos da mais pura e sincera criatividade artística, com um ativismo inspirador e energético em tudo que se envolvem, mas, principalmente, se assemelham na bondade. Talvez, futuramente, se minha preguiça permitir, cada uma ganhe um post neste blog, pois a arte subversiva delas mexe com minha alma e forma parte do que sou.

As imagens do meu celular de péssima qualidade servem apenas como um registro para me lembrar dos momentos mágicos que pude compartilhar na presença delas, e da atenção com que ouviram o meu “thank you” e retornaram com sorriso no rosto e sinceridade, agradecendo a mim também.

“O primeiro deles, articulado por Hobbes, minuciosamente elaborado por Durkheim e transformado em pressuposto tácito incorporado ao senso comum da filosofia e da ciência social por volta da metade do século XX, apresentava a coerção societária e as restrições impostas pela regulação normativa à liberdade individual como um meio necessário, inevitável e, no final das contas, salutar e benéfico de proteger o convívio humano da ‘guerra de todos contra todos’, e os indivíduos de uma vida ‘desagradável, brutal e curta’. O fim da coerção social administrada pelas autoridades, diziam os defensores desse argumento (se esse fim fosse de todo viável ou mesmo imaginável), não iria libertar os indivíduos. Pelo contrário, só os tornaria incapazes de resistir aos mórbidos estímulos de seus próprios instintos anti-sociais. Iriam se tornar vítimas de uma escravidão muito mais horripilante do que a que poderia ser produzida por todas as pressões das duras realidades sociais. Freud apresentaria a coerção socialmente exercida e a resultante limitação das liberdades individuais como a própria essência da civilização: civilização sem coerção seria algo impensável, devido ao ‘princípio do prazer’ (tal como o estímulo a procurar satisfação sexual ou a inclinação inata dos seres humanos à preguiça), que guiaria a conduta individual para a terra desolada da não-sociabilidade, se não fosse restringido, limitado e contrabalançado pelo ‘princípio da realidade’, ajudado pelo poder e operado pela autoridade.”
[Vida para Consumo] Zigmunt Bauman (2008 BR: 114-115 / 2007 EN)

Esse trecho caiu no meio das minhas reflexões de encerramento do ano que morei na Holanda, e, talvez, na tentativa de achar respostas que me convençam sobre o que vale a pena a volta ao Brasil. A coerção social que move a civilizada sociedade holandesa é a produção de indivíduos ativos. Não há desculpas para a inabilidade social, nem que ela seja uma escolha. Há um esforço camuflado que funciona em forma de coerção social para que os indivíduos sejam engajados na sociedade, ao passo que, no Brasil, esses indivíduos são apenas ignorados. E, neste ponto, olhando simplesmente este aspecto, considero que a liberdade individual no Brasil é infinitamente superior ao civilizado mundo social holandês.

[Quanto vale a liberdade?] Cólera (1998)