Posts Tagged ‘Punk’

I am made of pop – a dark, obscure, subversive and inspirational underground pop, but pop!!

 

[Jean-Michel Basquiat – Works from the Mugrabi Collection]

Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro (2018)

#riotgrrrl

foi assim que eu conheci o feminismo!

Na década de 90, em meio a tantas fitas pro walkman e a cada descoberta na MTV, umas bandas com mulheres poderosas surgiam e, obviamente, capturavam minha atenção. Com toda a atitude punk, se sobressaiam no meio grunge, mostrando que rock é coisa de mulher sim. Mostrando pra mim e para uma geração inteira de meninas da minha idade que a gente não precisava de namorado para ir nos rolês underground e que, se quisessemos, poderíamos pegar uma guitarra e subir no palco também!

L7 foi uma dessas bandas, que cravou o empoderamento em meu existir.

3 décadas depois, foi bom olhar para o passado, percebendo como os ensinamentos do riotgrrrl me constituíram. Foi um show de celebração, de sair com a mesma vontade que tinha aos 13 anos…montar uma banda. A(s) banda(s) nunca passou de meia dúzia de ensaios bêbados. Isso não importa, pois este é um dos exemplos em que o processo vale mais que o produto final. Riotgrrrl é a essëncia do meu feminismo e as minas do L7 tem boa parte de responsabilidade nisso.

 

[L7 – Circo Voador/RJ (2018)

 

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🖤 #morrissey 🖤

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[maladjusted]

Há 18 anos atrás uma amiga me levou em um show de um cara que eu não conhecia muito além do nome e de alguns hits…eu não tava preparada para o quanto essa noite, esse show, esse cara iria influenciar minha vida. Quando Morrissey entrou no palco do Opinião (Poa/RS) em fevereiro de 2000, imagino que minha cara deva ter ficado semelhante à da cena de Christiane F., quando ela assiste ao show do Bowie. Devo ter ficado catatônica o show inteiro…lembro da sensação hipnótica e de sair do show com algo diferente. Daquele dia em diante, degustei cada música dos Smiths e Morrissey, achando uma voz para traduzir meus sentimentos…em cada letra, um reconhecimento. A ajuda necessária para sobreviver que só encontramos na arte. Morrissey cantou cada dor que a existência me apresentou e me convenceu rapidinho a parar de comer carne. 18 anos vegetariana…muita gente fica incrédula com este tempo, mas para mim fez todo sentido no momento em que conheci Morrissey e nunca foi difícil.18 anos (e alguns meses), sempre contando com ele nos momentos mais sombrios, nas horas de levantar a cabeça  com o orgulho de assumir minhas escolhas sem me importar com julgamentos alheios, e até dançando sem vergonha…Morrissey me apresentou uma filosofia de vida que me serviu perfeitamente.

Passados estes 18 anos, o sentimento ao revê-lo não tem como ser descrito de outra forma se não o clichê de gratidão. Fiquei muito feliz com o lindo show, com os 90 minutos mágicos, que lavam a alma e reafirmam o myself. Além do momento mágico por si só, uma produção de show impecável, num lugar com acústica e ambientação peculiar para os padrões BR (Fundição Progresso, Rio/RJ) e um setlist que muito me agradou, pois era mais para “next steps” do que para “essentials”. Foi uma experiência necessária para aliviar este ano, tão difícil de sobreviver…Moz nos indicando para resistirmos, nos apoiando nos amigos (se tivermos algum, obviamente). Gratidão eterna para com quem também teve sua alma rejeitada por satan.

 

[Latin America Tour] Morrissey (2018)

(one more time, thank you brainpickings for the great tip!)

“You can be lonely anywhere, but there is a particular flavour to the loneliness that comes from living in a city, surrounded by millions of people.”

[The Lonely City] Olivia Laing (2016)

[subculture] –

we look the same/we talk the same/we are the same/we are the same

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Exactitudes

Não consigo pensar em muitas coisas que toquem minha alma e movam minha vida tanto quanto a música. Na trilha sonora do dia a dia, algumas artistas atingiram um status tão importante na minha vida, ajudando a sobreviver em diferentes momentos. Para cada uma dessas mulheres fantásticas, gostaria de fazer um sincero agradecimento pessoalmente, felizmente para 2 eu  já consegui.

Iniciei o ano que morei em Amsterdam (nov/2014 – nov/2015) conhecendo uma pessoa fantasticamente criativa e culturalmente produtiva da atualidade, e encerrei meu período em terras europeias conhecendo outra musa inspiradora, ícone, de também grandioso destaque criativo.

Camille Berthomier (Jehnny Beth) e Patricia Lee Smith (Patti Smith), a meu ver, se assemelham em diversos aspectos da mais pura e sincera criatividade artística, com um ativismo inspirador e energético em tudo que se envolvem, mas, principalmente, se assemelham na bondade. Talvez, futuramente, se minha preguiça permitir, cada uma ganhe um post neste blog, pois a arte subversiva delas mexe com minha alma e forma parte do que sou.

As imagens do meu celular de péssima qualidade servem apenas como um registro para me lembrar dos momentos mágicos que pude compartilhar na presença delas, e da atenção com que ouviram o meu “thank you” e retornaram com sorriso no rosto e sinceridade, agradecendo a mim também.

“O primeiro deles, articulado por Hobbes, minuciosamente elaborado por Durkheim e transformado em pressuposto tácito incorporado ao senso comum da filosofia e da ciência social por volta da metade do século XX, apresentava a coerção societária e as restrições impostas pela regulação normativa à liberdade individual como um meio necessário, inevitável e, no final das contas, salutar e benéfico de proteger o convívio humano da ‘guerra de todos contra todos’, e os indivíduos de uma vida ‘desagradável, brutal e curta’. O fim da coerção social administrada pelas autoridades, diziam os defensores desse argumento (se esse fim fosse de todo viável ou mesmo imaginável), não iria libertar os indivíduos. Pelo contrário, só os tornaria incapazes de resistir aos mórbidos estímulos de seus próprios instintos anti-sociais. Iriam se tornar vítimas de uma escravidão muito mais horripilante do que a que poderia ser produzida por todas as pressões das duras realidades sociais. Freud apresentaria a coerção socialmente exercida e a resultante limitação das liberdades individuais como a própria essência da civilização: civilização sem coerção seria algo impensável, devido ao ‘princípio do prazer’ (tal como o estímulo a procurar satisfação sexual ou a inclinação inata dos seres humanos à preguiça), que guiaria a conduta individual para a terra desolada da não-sociabilidade, se não fosse restringido, limitado e contrabalançado pelo ‘princípio da realidade’, ajudado pelo poder e operado pela autoridade.”
[Vida para Consumo] Zigmunt Bauman (2008 BR: 114-115 / 2007 EN)

Esse trecho caiu no meio das minhas reflexões de encerramento do ano que morei na Holanda, e, talvez, na tentativa de achar respostas que me convençam sobre o que vale a pena a volta ao Brasil. A coerção social que move a civilizada sociedade holandesa é a produção de indivíduos ativos. Não há desculpas para a inabilidade social, nem que ela seja uma escolha. Há um esforço camuflado que funciona em forma de coerção social para que os indivíduos sejam engajados na sociedade, ao passo que, no Brasil, esses indivíduos são apenas ignorados. E, neste ponto, olhando simplesmente este aspecto, considero que a liberdade individual no Brasil é infinitamente superior ao civilizado mundo social holandês.

[Quanto vale a liberdade?] Cólera (1998)