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Estava sentada com meu gato no colo [Pucco está velho – eu to velha, nosso corpo sente] lembrando da frase de “The Hours”, quando Leonard está lendo a carta de despedida de Virginia e que ela diz que acredita que ninguém possa ter sido mais feliz do que eles foram. Fico pensando nestes momentos em que tomamos consciência da felicidade e de que não poderemos ser mais felizes do que naquele exato momento. Ao mesmo tempo, desta súbita consciência, o desejo maluco de tentar aproveitar ao máximo aquele momento, mas se preocupar tanto em aproveitar ao máximo, da maneira correta, que se esquece de simplesmente aproveitar. Isto é a ansiedade que me assola diariamente. Hoje acordei melancólica, ouvindo meus discos de vinil do The Cure, em ordem e lados aleatórios. Já revi minhas lembranças em postcards, cartões de embarque, catálogos, dos meus dias europeus. Já bateu uma puta saudade da minha primeira impressão física de Manchester, ainda dentro do ônibus, chegando na estação. Das ruas, da arquitetura de fábrica. “We all look so perfect, as we all fall down!”, ou, como disse Cartola, “o mundo é um moinho, vai torturar teus sonhos, tão mesquinho, vai reduzir as ilusões a pó!”.

E a imagem para ilustrar o post é externa do Banhoof Zoo, que minha lembrança do dia da foto e de minha exploração por la retomam sentimentos extremamente melancólicos.

[banhoof zoo] Luceni Hellebrandt (21 – dez – 2014)

“There’s just this for consolation: an hour here or there when our lives seem, against all odds and expectations, to burst open and give us everything we’ve ever imagined, though everyone but children (and perhaps even they) know these hours will inevitably be followed by others, far darker and more difficult.” (p. 225)

[The Hours] Michael Cunningham (1998)

“Did it matter, then, she asked herself, walking toward Bond Street. Did it matter that she must inevitably cease, completely. All this must go on without her. Did she resent it? Or did it not become consoling to believe that death ended absolutely? It is possible to die. It is possible to die.”

[The Hours] Michael Cunningham (1998)