Acabei de assistir o episódio final de Sense8.

Assisti com certa tristeza pelo cancelamento do seriado, mas não pude evitar alguns pensamentos… com certeza foi o seriado mais queer de audiência acessível que assisti nos últimos tempos.

Penso em como a menos de 2 décadas algo do universo lgbtq era bem mais restrito…

Sempre lembro e faço questão de pontuar como um avanço incrível aconteceu a partir dos anos 2000. Antes disso, tudo era bem mais difícil de acessar, em circuitos bem restritos.

Com Queer As Folk (versão USA 2000 – 2005) e The L Word (2004 – 2009) a tv cumpriu um de seus papéis sociais e naturalizou na tela os sentimentos de tanta gente ao redor do mundo, incluindo os meus, colocando em tela que é ok ser quem você é e gostar de quem(s) você gosta, independente do sexo e/ou gênero da(s) pessoa(s).

Incrível poder chegar num momento em que um seriado como Sense8 coloca tantas possibilidades de relacionamentos afetivos. ❤

Sense8 dá uma sensação de leveza e de esperança… de que é possível!!! (apesar de todo o retrocesso e intolerância que vivenciamos atualmente).

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(from: https://www.advocate.com/television/2017/6/01/fans-petition-netflix-bring-back-sense8-its-not-just-tv-show)

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(one more time, thank you brainpickings for the great tip!)

“You can be lonely anywhere, but there is a particular flavour to the loneliness that comes from living in a city, surrounded by millions of people.”

[The Lonely City] Olivia Laing (2016)

“There’s just this for consolation: an hour here or there when our lives seem, against all odds and expectations, to burst open and give us everything we’ve ever imagined, though everyone but children (and perhaps even they) know these hours will inevitably be followed by others, far darker and more difficult.” (p. 225)

[The Hours] Michael Cunningham (1998)

– care funcional / care emocional –

É manhã de domingo e estou terminando de me recuperar de uma semana de dor, febre, enjoo, vômito, diarréia…uma possível stomach flu. Alguns sintomas como dor de cabeça e tontura ainda persistem, mas comparando ao pior momento, posso dizer que estou quase 100% e que saio sem maiores danos dessa semana. Muita água, muito repouso e uma pilha no tanque com praticamente todas as minhas roupas, lençóis e fronhas, ainda meio úmidas das febres noturnas, entram no balanço quantitativo para um total de 7 dias doente. Morar sozinha, distante da família, exige que se aprenda a se virar sozinha, inclusive para enfrentar longos dias de cama. É claro que aqui, como em Amsterdam ou em Florianópolis, tenho uma rede de contatos/amigxs formada por colegas de trabalho, que se oferecem, acredito que sinceramente, com o “se precisar, chama!”. Com o risco de contágio da virose, eu não chamei, mas também não precisei. O care que uma rede de contatos/amigxs formada por colegas de trabalho oferece é um care funcional, não um care emocional. Quando se mora sozinha, distante da família, se aprende a se virar sozinha também emocionalmente, mas se agradece imensamente à existência de WhatsApp e Skype.

– a promessa da felicidade está numa lembrança do passado –

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[lost paradise] Luceni Hellebrandt (MVD fev 2014)

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[domingo] Luceni Hellebrandt (2017)

– shy people learn how to scream in silence as a way to keep breathing –

[white lies] Luceni Hellebrandt (2017)